Eu Ainda Me Levanto
Você pode escrever mal de mim na história
Com suas amargas, distorcidas mentiras
Você pode me esmagar com os pés em muita sujeira
Mas ainda, como pó, eu me levantarei.
Minha insolência perturba você?
Por que você está acossado de melancolia?
Porque eu caminho como se tivesse poços de petróleo
Bombeando na minha sala de estar.
Justamente como luas e como sóis,
Com a certeza das marés
Justamente como esperanças voando alto
Continuarei a me levantar.
Você quer me ver quebrada?
Cabisbaixa e olhos baixos?
Ombros caindo como gotas de lágrimas.
Enfraquecida por meus gritos de alma plena.
Minha altivez ofende você?
Não leve isso tão duramente
Porque eu rio como se tivesse minas de ouro
Cavando no meu próprio quintal.
Você pode me atirar com suas palavras,
Você pode me cortar com seus olhos,
Você pode me matar com seu ódio,
Mas ainda, como o ar, eu me levantarei.
Minha sexualidade perturba você?
Isso vem como uma surpresa
Que eu danço como se tivesse diamantes
No encontro das minhas coxas.
Fora das cabanas da vergonha da história
Eu me levanto
Desde um passado enraizado na dor
Eu me levanto
Eu sou um oceano negro, aos saltos e amplo
Eu me levanto
Completamente em expansão eu carrego na maré
Deixando pra trás noites de terror e medo
Eu me levanto
Para romper o dia que é extraordinariamente claro
Eu me levanto
Trazendo os presentes que meus ancestrais deram,
Eu sou o sonho e a esperança do escravo.
Me levanto
Me levanto
Me levanto
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segunda-feira, 30 de abril de 2012
sábado, 28 de abril de 2012
A Brave And Startling Truth, Maya Angelou
Uma Corajosa e Surpreendente Verdade
Nós, inacostumados a exílios de coragem do encanto
Vivemos enrolados em conchas de solidão
Até que o amor deixa seu alto sagrado templo
E vem à nossa vista nos liberar para a vida.
Se somos valentes, o amor dissipa as cadeias de medo de nossas almas.
O amor custa tudo o que somos e sempre teremos
Ainda assim é o único amor que nos liberta
Uma corajosa e surpreendente verdade.
Quando chegamos a ela
Nós, este povo, em seu indócil corpo
Criados nesta terra, desta terra
Tem o poder de amoldar para esta terra
Um clima onde todo homem e toda mulher
Possa viver livremente sem beata piedade
E sem paralisante medo.
Quando chegamos a ela
Devemos confessar que somos o possível
Somos o miraculoso, a verdadeira maravilha deste mundo
É quando, e somente quando
Chegamos a ela.
Nós, inacostumados a exílios de coragem do encanto
Vivemos enrolados em conchas de solidão
Até que o amor deixa seu alto sagrado templo
E vem à nossa vista nos liberar para a vida.
Se somos valentes, o amor dissipa as cadeias de medo de nossas almas.
O amor custa tudo o que somos e sempre teremos
Ainda assim é o único amor que nos liberta
Uma corajosa e surpreendente verdade.
Quando chegamos a ela
Nós, este povo, em seu indócil corpo
Criados nesta terra, desta terra
Tem o poder de amoldar para esta terra
Um clima onde todo homem e toda mulher
Possa viver livremente sem beata piedade
E sem paralisante medo.
Quando chegamos a ela
Devemos confessar que somos o possível
Somos o miraculoso, a verdadeira maravilha deste mundo
É quando, e somente quando
Chegamos a ela.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Phenomenal Woman, Maya Angelou
Mulher Fenomenal
Mulheres curiosas por saber onde meu segredo se encontra
Não sou atraente ou feita para me amoldar ao tamanho do que está na moda
Mas quando eu começo a contar-lhes,
Elas pensam que estou dizendo mentiras.
Eu digo,
Está no alcance dos meus braços
Na extensão dos meus quadris,
A distância do meu passo
A ondulação dos meu lábios.
Eu sou uma mulher
Fenomenalmente.
Mulher fenomenal sou eu.
Eu entro num ambiente
Simplesmente arrojada conforme lhe agrada
E para um homem,
Os companheiros ficam em pé ou
Caem de joelhos
Então se aglomeram em minha volta
Um enxame de abelhas no mel
Eu digo,
É o fogo nos meus olhos,
E o brilho dos meus dentes,
O balanço da minha cintura
E a alegria dos meus pés.
Eu sou uma mulher
Fenomenalmente.
Mulher fenomenal
sou eu.
Os próprios homens querem saber
O que eles vêem em mim,
Eles tentam tanto
Mas não podem tocar meu interno mistério.
Quando eu tento mostrá-los,
Eles dizem que ainda não conseguem ver.
Eu digo
Está no arco das minhas costas,
O sol do meu sorriso,
O percurso dos meus seios,
A graça do meu estilo.
Eu sou uma mulher
Fenomenalmente
Mulher fenomenal
Sou eu.
Mulheres curiosas por saber onde meu segredo se encontra
Não sou atraente ou feita para me amoldar ao tamanho do que está na moda
Mas quando eu começo a contar-lhes,
Elas pensam que estou dizendo mentiras.
Eu digo,
Está no alcance dos meus braços
Na extensão dos meus quadris,
A distância do meu passo
A ondulação dos meu lábios.
Eu sou uma mulher
Fenomenalmente.
Mulher fenomenal sou eu.
Eu entro num ambiente
Simplesmente arrojada conforme lhe agrada
E para um homem,
Os companheiros ficam em pé ou
Caem de joelhos
Então se aglomeram em minha volta
Um enxame de abelhas no mel
Eu digo,
É o fogo nos meus olhos,
E o brilho dos meus dentes,
O balanço da minha cintura
E a alegria dos meus pés.
Eu sou uma mulher
Fenomenalmente.
Mulher fenomenal
sou eu.
Os próprios homens querem saber
O que eles vêem em mim,
Eles tentam tanto
Mas não podem tocar meu interno mistério.
Quando eu tento mostrá-los,
Eles dizem que ainda não conseguem ver.
Eu digo
Está no arco das minhas costas,
O sol do meu sorriso,
O percurso dos meus seios,
A graça do meu estilo.
Eu sou uma mulher
Fenomenalmente
Mulher fenomenal
Sou eu.
I Know Why The Caged Bird Sings, Maya Angelou
Eu sei porque o pássaro enjaulado canta
O pássaro livre pula
nas costas da vitória
e flutua rio abaixo
até que a corrente termine
e mergulha suas asas
nos raios de sol laranja
e ousa e clama ao sol.
Mas o pássaro a passo largo e pomposo
em sua jaula estreita
raramente pode ver através
de sua barra de raiva
suas asas cortadas e
seus pés amarrados
então ele abre sua garganta pra cantar.
O pássaro enjaulado canta
com temeroso trinado
das coisas desconhecidas
mas com saudades ainda
e a melodia é ouvida
na distante colina para o pássaro enjaulado
que canta a liberdade.
O pássaro livre pensa em outra brisa
uma troca de ventos leves através dos sinais das árvores
e as gordas minhocas esperando numa brilhante aurora no pátio
e ele nomeia seu próprio céu.
Mas o pássaro enjaulado permanece no túmulo dos sonhos
sua sombra grita em guincho de pesadelo
suas asas são cortadas e seus pés amarrados
então ele abre sua garganta pra cantar.
O pássaro enjaulado canta
com um temeroso trinado de coisas desconhecidas
mas com saudades ainda
e sua melodia é ouvida
na colina distante
pois que o pássaro enjaulado canta a liberdade.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Rapsody On A Windy Night, T.S.Eliot
Rapsódia numa noite em ventania
Doze horas. Ao longo das extensões da rua
Retido numa síntese lunar
Sussurrando encantamentos lunares
Dissolvem os pisos da memória
E todas suas claras relações,
Suas divisões e precisões,
Toda lâmpada da rua que eu passo
lateja como um fantástico tambor,
E através dos espaços do escuro
A meia-noite chacoalha a memória
Como um homem louco chacoalha um gerânio morto.
Uma e meia.
A lâmpada da rua crepitava,
a lâmpada da rua murmurava,
A lâmpada da rua disse, "Olhe aquela mulher
Que hesita em sua direção à luz da porta
Que abre para ela como sorriso malicioso.
Você vê a borda de seu vestido
Está rasgado e manchado com areia,
E você vê o canto de seu olho
Revira como um alfinete curvo."
A memória lança alta e seca
Uma multidão de coisas retorcidas;
Um galho torcido sobre a praia
Comido macio, e polido
Como se o mundo desistisse
O segredo do seu esqueleto,
Rígido e branco.
Uma mola quebrada num galpão de fábrica,
Ferrugem que gruda na forma que a força deixou
Duro e anelado e pronto para estalar.
Duas e meia.
A lâmpada da rua disse,
"Observe o gato que se achata na sarjeta
Desliza pra fora sua língua
E devora um bocado de manteiga rançosa."
Então a mão de uma criança, automática,
sai rapidamente e embolsa um brinquedo que corria ao longo do cais.
Não pude ver nada atrás do olho da criança.
Eu tenho visto olhos na rua
Tentando igualar através das venezianas iluminadas,
E um caranguejo uma tarde na piscina,
Um velho caranguejo com cracas em suas costas,
Agarrado na ponta de um pau que eu segurava.
Três e meia.
A lâmpada crepitou,
A lâmpada sussurrou no escuro.
A lâmpada zuniu:
"Olhe a lua,
A lua não guarda nenhum rancor,
Ela pisca-pisca um olho frágil,
Ela sorri nos cantos
Ela amacia o cabelo da grama.
A lua perdeu sua memória.
Uma escavada varíola racha seu rosto,
Sua mão torce um papel rosa,
Aquele cheiro de poeira e velha colônia
Ela está sozinha
Com todos os velhos cheiros noturnos
Que atravessa e através atravessa seu cérebro."
A reminiscência vem de secos gerânios sem sol,
A poeira em fendas,
Cheiros de castanheiras nas ruas
E a fêmea cheira em cômodos fechados,
E cigarros nos corredores
E coquetel cheira nos bares."
A lâmpada disse:
"Quatro horas,
Aqui está o número na porta.
Memória!
Você tem a chave,
As pequenas lâmpadas esparramam um anel no degrau,
Monte.
A cama está aberta; a escova de dente pendurada na parede,
Ponha seus sapatos à porta,
Durma, prepare para a vida."
A última torção da faca.
Doze horas. Ao longo das extensões da rua
Retido numa síntese lunar
Sussurrando encantamentos lunares
Dissolvem os pisos da memória
E todas suas claras relações,
Suas divisões e precisões,
Toda lâmpada da rua que eu passo
lateja como um fantástico tambor,
E através dos espaços do escuro
A meia-noite chacoalha a memória
Como um homem louco chacoalha um gerânio morto.
Uma e meia.
A lâmpada da rua crepitava,
a lâmpada da rua murmurava,
A lâmpada da rua disse, "Olhe aquela mulher
Que hesita em sua direção à luz da porta
Que abre para ela como sorriso malicioso.
Você vê a borda de seu vestido
Está rasgado e manchado com areia,
E você vê o canto de seu olho
Revira como um alfinete curvo."
A memória lança alta e seca
Uma multidão de coisas retorcidas;
Um galho torcido sobre a praia
Comido macio, e polido
Como se o mundo desistisse
O segredo do seu esqueleto,
Rígido e branco.
Uma mola quebrada num galpão de fábrica,
Ferrugem que gruda na forma que a força deixou
Duro e anelado e pronto para estalar.
Duas e meia.
A lâmpada da rua disse,
"Observe o gato que se achata na sarjeta
Desliza pra fora sua língua
E devora um bocado de manteiga rançosa."
Então a mão de uma criança, automática,
sai rapidamente e embolsa um brinquedo que corria ao longo do cais.
Não pude ver nada atrás do olho da criança.
Eu tenho visto olhos na rua
Tentando igualar através das venezianas iluminadas,
E um caranguejo uma tarde na piscina,
Um velho caranguejo com cracas em suas costas,
Agarrado na ponta de um pau que eu segurava.
Três e meia.
A lâmpada crepitou,
A lâmpada sussurrou no escuro.
A lâmpada zuniu:
"Olhe a lua,
A lua não guarda nenhum rancor,
Ela pisca-pisca um olho frágil,
Ela sorri nos cantos
Ela amacia o cabelo da grama.
A lua perdeu sua memória.
Uma escavada varíola racha seu rosto,
Sua mão torce um papel rosa,
Aquele cheiro de poeira e velha colônia
Ela está sozinha
Com todos os velhos cheiros noturnos
Que atravessa e através atravessa seu cérebro."
A reminiscência vem de secos gerânios sem sol,
A poeira em fendas,
Cheiros de castanheiras nas ruas
E a fêmea cheira em cômodos fechados,
E cigarros nos corredores
E coquetel cheira nos bares."
A lâmpada disse:
"Quatro horas,
Aqui está o número na porta.
Memória!
Você tem a chave,
As pequenas lâmpadas esparramam um anel no degrau,
Monte.
A cama está aberta; a escova de dente pendurada na parede,
Ponha seus sapatos à porta,
Durma, prepare para a vida."
A última torção da faca.
terça-feira, 17 de abril de 2012
L'Azur, Stéphane Mallarmé
O Azul
Do eterno azul a serena ironia
Esmaga, bela indolentemente como as flores
O poeta incapaz que maldiz seu gênio
Atravessa um estéril deserto de Dores.
Fugidio, os olhos fechados, eu o sinto que olha
Com a intensidade de um remorso aterrador,
Minha alma vazia. Para onde fugir? E qual noite alucinada
Lançar, fragmentos, lançar este desprezo desolador?
Nevoeiros, elevam-se! Derramai vossas cinzas monótonas
Com os longos farrapos de bruma nos céus
Que escurecerão o pântano lívido dos outonos,
E edificai um grande teto silencioso.
E tu, sai dos lagos infernais e recolhe
Vindo o vaso e os pálidos juncos,
Caro tédio, para tapar com uma mão jamais cansada
Os grandes buracos azuis que maldosamente fazem os pássaros.
De novo! que sem trégua os tristes chaminés
Fumam, e que de fuligem uma errante prisão
Desvanece no horror de seus negros sulcos
O sol morrendo amarelado no horizonte!
- O Céu está morto. - Em tua direção, eu acudo! Dá-me, ô matéria,
O esquecimento do ideal cruel e do Pecado
A este mártir que vem partilhar a liteira
Onde o gado feliz dos homens está deitado,
Pois eu quero, já que afinal meu cérebro esvaziado
Como o pote de creme jaz ao pé do muro,
Não tem mais a arte de vestir a soluçante ideia,
Lugubremente bocejar para uma noite obscura...
Em vão! o Azul celeste triunfa, e eu o escuto quem canta
Nos sinos. Minha alma se faz voz para mais
Nos fazer medo com sua vitória maldosa,
E do metal vivo sai em azuis Ângelus!
Circula pela bruma antiga e atravessa
Tua nativa agonia assim como uma espada certeira:
Para onde fugir na revolta inútil e perversa?
Eu estou assombrado. O Azul! O Azul! O Azul! O Azul!
Do eterno azul a serena ironia
Esmaga, bela indolentemente como as flores
O poeta incapaz que maldiz seu gênio
Atravessa um estéril deserto de Dores.
Fugidio, os olhos fechados, eu o sinto que olha
Com a intensidade de um remorso aterrador,
Minha alma vazia. Para onde fugir? E qual noite alucinada
Lançar, fragmentos, lançar este desprezo desolador?
Nevoeiros, elevam-se! Derramai vossas cinzas monótonas
Com os longos farrapos de bruma nos céus
Que escurecerão o pântano lívido dos outonos,
E edificai um grande teto silencioso.
E tu, sai dos lagos infernais e recolhe
Vindo o vaso e os pálidos juncos,
Caro tédio, para tapar com uma mão jamais cansada
Os grandes buracos azuis que maldosamente fazem os pássaros.
De novo! que sem trégua os tristes chaminés
Fumam, e que de fuligem uma errante prisão
Desvanece no horror de seus negros sulcos
O sol morrendo amarelado no horizonte!
- O Céu está morto. - Em tua direção, eu acudo! Dá-me, ô matéria,
O esquecimento do ideal cruel e do Pecado
A este mártir que vem partilhar a liteira
Onde o gado feliz dos homens está deitado,
Pois eu quero, já que afinal meu cérebro esvaziado
Como o pote de creme jaz ao pé do muro,
Não tem mais a arte de vestir a soluçante ideia,
Lugubremente bocejar para uma noite obscura...
Em vão! o Azul celeste triunfa, e eu o escuto quem canta
Nos sinos. Minha alma se faz voz para mais
Nos fazer medo com sua vitória maldosa,
E do metal vivo sai em azuis Ângelus!
Circula pela bruma antiga e atravessa
Tua nativa agonia assim como uma espada certeira:
Para onde fugir na revolta inútil e perversa?
Eu estou assombrado. O Azul! O Azul! O Azul! O Azul!
And Death Shall Have No Dominion, Dylan Thomas
E a morte não dominará
Morto meio nu eles serão um
Com o homem no vento e a lua a oeste;
Com seus ossos são pegos limpos e limpos os ossos idos,
Eles terão estrelas no cotovelo e no pé;
Ainda que vão loucos eles serão sãos,
Ainda que afundem através do mar eles se erguerão de novo
Ainda que os amantes fiquem perdidos o amor não;
E a morte não dominará.
E a morte não dominará
Sob as asas do mar
Eles deitam alongados não morrerão com o vento;
Entrelaçados nas nuvens quando a força abre caminho
Amarrados numa roda, ainda assim não quebrarão;
Fé em suas mãos romperão em dois,
E os demônios do unicórnio correm através deles;
Separam-se os finais eles não romperão;
E a morte não dominará.
E a morte não dominará.
Não mais devem as gaivotas chorar nos seus ouvidos
Ou as ondas quebrarem alto no cais;
Onde floriu uma flor não deve mais uma flor
Levanta sua cabeça para os sopros da chuva;
Através deles serem loucos e mortas as unhas,
Cabeças de figuras martelam através das margaridas;
Quebram no sol até que o sol colapsa,
E a morte não dominará.
Morto meio nu eles serão um
Com o homem no vento e a lua a oeste;
Com seus ossos são pegos limpos e limpos os ossos idos,
Eles terão estrelas no cotovelo e no pé;
Ainda que vão loucos eles serão sãos,
Ainda que afundem através do mar eles se erguerão de novo
Ainda que os amantes fiquem perdidos o amor não;
E a morte não dominará.
E a morte não dominará
Sob as asas do mar
Eles deitam alongados não morrerão com o vento;
Entrelaçados nas nuvens quando a força abre caminho
Amarrados numa roda, ainda assim não quebrarão;
Fé em suas mãos romperão em dois,
E os demônios do unicórnio correm através deles;
Separam-se os finais eles não romperão;
E a morte não dominará.
E a morte não dominará.
Não mais devem as gaivotas chorar nos seus ouvidos
Ou as ondas quebrarem alto no cais;
Onde floriu uma flor não deve mais uma flor
Levanta sua cabeça para os sopros da chuva;
Através deles serem loucos e mortas as unhas,
Cabeças de figuras martelam através das margaridas;
Quebram no sol até que o sol colapsa,
E a morte não dominará.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Lyres - L'Objet c'est la Poétique, Francis Ponge
O Objeto é a Poética
A relação do homem com o objeto não é devido tão somente à posse ou ao uso. É bem pior.
Os objetos estão fora da alma, certamente; contudo, eles são também nosso chumbo na cabeça.
Trata-se de uma relação no acusativo.
O homem é um esquisito de corpo, que não tem seu centro de gravidade nele mesmo. É-lhe preciso um objeto que o afete, como seu complemento direto, imediatamente.
Trata-se de uma relação mais grave (não completamente do ter, mas do ser).
O artista, mais do que outro homem, recebe dele sua carga, acusa a estocada.
Felizmente, contudo, o que é o ser? - São modos de ser, sucessivos. Ele é o mesmo que os objetos. O mesmo que o batimento das pálpebras.
Igualmente que, tornando-se nossa regulamentação, um objeto a nós concerne, nosso olhar bem como cercou-o, o discerne. Trata-se, obrigado deus, de uma "discrição" recíproca; e o artista assim toca o objetivo.
Sim, só o artista, então, sabe apreender aí.
Ele pára de olhar, retira o objetivo.
O objeto, por certo, acusa o golpe.
A Verdade se descola rapidamente, ilesa.
A metamorfose aconteceu.
Não seríamos senão um corpo, sem dúvida estaríamos em equilíbrio com a natureza.
Mas nossa alma está do mesmo lado que nós na balança.
Pesada ou leve, eu não sei.
Memória, imaginação, afetos imediatos, o embotamento; porém, nós temos a fala (ou qualquer outro meio de expressão),; cada palavra que nós pronunciamos nos alivia.
Na escritura , ela passa mesmo do outro lado.
Pesados ou leves portanto eu não sei, nós temos necessidade de um contrapeso.
O homem é um pesado navio, um pesado pássaro, sobre o abismo.
Cada "battibaleno" a nós confirma. Nós batemos o olhar como o pássaro de asa, para nos manter.
Tanto no cimo da onda, e tanto crendo nos abismar.
Eternos vagabundos, pelo menos tanto que estamos na vida.
Mas o mundo está povoado de objetos. Sobre suas margens, sua multidão infinita, sua coleção nos aparece, certamente, sobretudo indistinta e imprecisa.
Contudo, isso basta para nos assegurar. Porque, nós o comprovamos, cada um deles, ao nosso gosto, de vez em vez, pode tornar-se nosso ponto de amarração, o limite onde nos apoiar.
É suficiente, digo, que se faça o peso.
A maioria não faz o peso.
O homem, mais frequentemente, não abraça senão suas emanações, seus fantasmas. Tais são os objetos subjetivos.
Não se faz senão valsar com eles, cantando todos a mesma canção; depois se revoam com eles ou se abisma.
É preciso, pois, escolher objetos verdadeiros, objetando indefinidamente os nossos desejos.
Objetos que nós reescolhemos a cada dia, e não como nosso décor, nosso quadro; sobretudo como nossos espectadores, nossos juízes; para não ser, certamente, nem dançarinos nem palhaços.
Finalmente, nosso secreto conselho.
E assim compor nosso templo doméstico:
Cada um de nós, o tanto que somos, conhece bem, eu suponho, sua Beleza.
Ela se mantém no centro, jamais à espera.
Tudo em ordem em torno dela.
Ela, intacta.
Fonte de nosso pátio.
A relação do homem com o objeto não é devido tão somente à posse ou ao uso. É bem pior.
Os objetos estão fora da alma, certamente; contudo, eles são também nosso chumbo na cabeça.
Trata-se de uma relação no acusativo.
O homem é um esquisito de corpo, que não tem seu centro de gravidade nele mesmo. É-lhe preciso um objeto que o afete, como seu complemento direto, imediatamente.
Trata-se de uma relação mais grave (não completamente do ter, mas do ser).
O artista, mais do que outro homem, recebe dele sua carga, acusa a estocada.
Felizmente, contudo, o que é o ser? - São modos de ser, sucessivos. Ele é o mesmo que os objetos. O mesmo que o batimento das pálpebras.
Igualmente que, tornando-se nossa regulamentação, um objeto a nós concerne, nosso olhar bem como cercou-o, o discerne. Trata-se, obrigado deus, de uma "discrição" recíproca; e o artista assim toca o objetivo.
Sim, só o artista, então, sabe apreender aí.
Ele pára de olhar, retira o objetivo.
O objeto, por certo, acusa o golpe.
A Verdade se descola rapidamente, ilesa.
A metamorfose aconteceu.
Não seríamos senão um corpo, sem dúvida estaríamos em equilíbrio com a natureza.
Mas nossa alma está do mesmo lado que nós na balança.
Pesada ou leve, eu não sei.
Memória, imaginação, afetos imediatos, o embotamento; porém, nós temos a fala (ou qualquer outro meio de expressão),; cada palavra que nós pronunciamos nos alivia.
Na escritura , ela passa mesmo do outro lado.
Pesados ou leves portanto eu não sei, nós temos necessidade de um contrapeso.
O homem é um pesado navio, um pesado pássaro, sobre o abismo.
Cada "battibaleno" a nós confirma. Nós batemos o olhar como o pássaro de asa, para nos manter.
Tanto no cimo da onda, e tanto crendo nos abismar.
Eternos vagabundos, pelo menos tanto que estamos na vida.
Mas o mundo está povoado de objetos. Sobre suas margens, sua multidão infinita, sua coleção nos aparece, certamente, sobretudo indistinta e imprecisa.
Contudo, isso basta para nos assegurar. Porque, nós o comprovamos, cada um deles, ao nosso gosto, de vez em vez, pode tornar-se nosso ponto de amarração, o limite onde nos apoiar.
É suficiente, digo, que se faça o peso.
A maioria não faz o peso.
O homem, mais frequentemente, não abraça senão suas emanações, seus fantasmas. Tais são os objetos subjetivos.
Não se faz senão valsar com eles, cantando todos a mesma canção; depois se revoam com eles ou se abisma.
É preciso, pois, escolher objetos verdadeiros, objetando indefinidamente os nossos desejos.
Objetos que nós reescolhemos a cada dia, e não como nosso décor, nosso quadro; sobretudo como nossos espectadores, nossos juízes; para não ser, certamente, nem dançarinos nem palhaços.
Finalmente, nosso secreto conselho.
E assim compor nosso templo doméstico:
Cada um de nós, o tanto que somos, conhece bem, eu suponho, sua Beleza.
Ela se mantém no centro, jamais à espera.
Tudo em ordem em torno dela.
Ela, intacta.
Fonte de nosso pátio.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
The Man Who Hated Trees, Naomi Shihab Nye
O Homem Que Odiava As Árvores
Quando ele começou a culpar pelos roubos
as árvores, você sabia por certo
algo estava errado.
Esse homem que cortava cabelo,
quem levou anos raspando pescoços
de gerentes de cafeteria,
varrendo caracóis de cabelos escoadouros abaixo,
Este homem que disse: "É sempre melhor cortar
um pouco demais..."
Você poderia dizer que ele transferiu uma coisa
por outra quando ele vinha pra casa,
cabelos por folhas, só que desta vez
ele estava cortando corpos inteiros,
dos pés pra cima, ele queria fazer daqueles
fregueses, cepas.
Uma árvore deixou cair bolas rouxas no teto
de seu carro. Uma árvore tocava a canaleta
da chuva. Ele não gostava de floradas, sujeira demais.
"Árvores sobem ao céu - é minha luz, por que compartilhá-la?"
Ele disse que ladrões atacam em blocos onde haja árvores,
"A sombra, você sabe. Eles gostam do escuro."
Você viveu por dias com o barulho da serra cauterizando
os últimos ramos de afeição da vizinhança.
Era a estação do plantio no resto da cidade
mas a sua rua recebia corte escovinha.
Duas nogueiras que levaram a metade de um século
para crescer, agora ficaram como índios Mohawk, tosquiada.
Ele regozijava-se em sua varanda cercada de amputações.
Você o pegou encarando gulosamente os ramos soltos
balançando sobre seu telhado.
Amanhã, quando tudo for cortado, o que será?
Ele brincou sobre correr atrás dos gatos como
o último grão seco de porcelana estatelado conforme
o caminhão viesse pra recolher braços e pernas
sacudindo seu último adeus.
Que histórias ele contou a si mesmo,
esse patriota da primavera,
e como se sente dirigindo nos bulevares florescendo
em seu pelado, pelado coração?
Quando ele começou a culpar pelos roubos
as árvores, você sabia por certo
algo estava errado.
Esse homem que cortava cabelo,
quem levou anos raspando pescoços
de gerentes de cafeteria,
varrendo caracóis de cabelos escoadouros abaixo,
Este homem que disse: "É sempre melhor cortar
um pouco demais..."
Você poderia dizer que ele transferiu uma coisa
por outra quando ele vinha pra casa,
cabelos por folhas, só que desta vez
ele estava cortando corpos inteiros,
dos pés pra cima, ele queria fazer daqueles
fregueses, cepas.
Uma árvore deixou cair bolas rouxas no teto
de seu carro. Uma árvore tocava a canaleta
da chuva. Ele não gostava de floradas, sujeira demais.
"Árvores sobem ao céu - é minha luz, por que compartilhá-la?"
Ele disse que ladrões atacam em blocos onde haja árvores,
"A sombra, você sabe. Eles gostam do escuro."
Você viveu por dias com o barulho da serra cauterizando
os últimos ramos de afeição da vizinhança.
Era a estação do plantio no resto da cidade
mas a sua rua recebia corte escovinha.
Duas nogueiras que levaram a metade de um século
para crescer, agora ficaram como índios Mohawk, tosquiada.
Ele regozijava-se em sua varanda cercada de amputações.
Você o pegou encarando gulosamente os ramos soltos
balançando sobre seu telhado.
Amanhã, quando tudo for cortado, o que será?
Ele brincou sobre correr atrás dos gatos como
o último grão seco de porcelana estatelado conforme
o caminhão viesse pra recolher braços e pernas
sacudindo seu último adeus.
Que histórias ele contou a si mesmo,
esse patriota da primavera,
e como se sente dirigindo nos bulevares florescendo
em seu pelado, pelado coração?
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Les mains de Jeanne-Marie, Arthur Rimbaud
As mãos de Jeanne-Marie
(O manuscrito foi descoberto em 1919 por Raul Bonnet.
Este poema é uma homenagem à ação das mulheres da classe
operária durante a Comuna de Paris).
Jeanne-Marie tem mãos fortes,
Mãos escuras que o verão curtiu
Mãos pálidas como mãos mortas
- São as mãos de Juana?
Elas pegaram os cremes marrons
Sobre os charcos das volúpias?
Elas se encharcaram nas luas
Nas fases de serenidades?
Elas beberam os céus bárbaros,
Calmas sobre os joelhos charmosos?
Elas enrolaram charutos
Ou traficado diamantes?
Sobre os pés ardentes das Madonas
Elas estiolaram as flores de ouro?
É o sangue negro das beladonas
Que em sua palma eclode e dorme.
Mãos caçadoras de dípteros
Dos quais arqueiam azulamentos
Aurorais, rumo aos nectários?
Mãos decantadoras de peixes?
Ó! que sonho as cativou nas pandiculações?
Um sonho insólito das Ásias, dos Khenghavares ou dos Sions?
- Estas mãos não venderam laranjas,
Nem queimaram sobre os pés dos deuses:
Estas mãos não lavaram as fraldas
De pesadas crianças sem olhos.
Não são mãos de pretensão
Nem de operárias de testas grandes
Que incendeiam nos bosques o cheiro da usina
Um sol ébrio de alcatrão.
São vergadoras de espinhas,
Mãos que não fazem mal jamais,
Mais fatais que as máquinas,
Mais fortes que todo um cavalo!
Se agitando como fornalhas,
E sacudindo todos os arrepios,
Sua carne canta as Marselhesas
E jamais os Eleisons!
Isso apertaria vossos pescoços, ô mulheres
Maldosas, isso trituraria vossas mãos,
Mulheres nobres, vossas mãos infames
Plenas de brancos e carmins.
O brado destas mãos amorosas
gira o crânio das ovelhas!
Em suas falanges saborosas
O grande sol coloca um rubi!
Uma missão de populacho os queima
Como um ventre de ontem;
O dorso destas Mãos é o lugar
Em que se beijou todo revoltado orgulhoso!
Elas empalideceram, maravilhosas,
Ao grande sol de amor sobrecarregado,
Sobre o bronze das metralhadoras
Através da Paris insurrecta!
Ah! algumas vezes, ô mãos sagradas,
Em vossos punhos, mãos onde tremem nossos
lábios jamais ficam sóbrios,
Apregoa-se uma cadeia de claros anéis!
E é um sobressalto estranho
Dentro de nossos seres, quando algumas vezes,
Quer-se vos rebocar, mãos de anjo,
E vos fazendo sangrar os dedos.
______________________________________
NT>:Alusão à repressão de Versailles. Houve por volta de 20.000 mortos entre os da Comuna. Comboios de prisioneiros foram levados a Marseille: 150 a 200 por dia, ligados
mão a mão por fileiras de quatro (=cf. "Crie une chaine aux clairs anneaux) .Eles foram
insultados e batidos pela multidão dos snobs e dos elegantes. De onde: "En vous faisant
saigner des doigts")
(O manuscrito foi descoberto em 1919 por Raul Bonnet.
Este poema é uma homenagem à ação das mulheres da classe
operária durante a Comuna de Paris).
Jeanne-Marie tem mãos fortes,
Mãos escuras que o verão curtiu
Mãos pálidas como mãos mortas
- São as mãos de Juana?
Elas pegaram os cremes marrons
Sobre os charcos das volúpias?
Elas se encharcaram nas luas
Nas fases de serenidades?
Elas beberam os céus bárbaros,
Calmas sobre os joelhos charmosos?
Elas enrolaram charutos
Ou traficado diamantes?
Sobre os pés ardentes das Madonas
Elas estiolaram as flores de ouro?
É o sangue negro das beladonas
Que em sua palma eclode e dorme.
Mãos caçadoras de dípteros
Dos quais arqueiam azulamentos
Aurorais, rumo aos nectários?
Mãos decantadoras de peixes?
Ó! que sonho as cativou nas pandiculações?
Um sonho insólito das Ásias, dos Khenghavares ou dos Sions?
- Estas mãos não venderam laranjas,
Nem queimaram sobre os pés dos deuses:
Estas mãos não lavaram as fraldas
De pesadas crianças sem olhos.
Não são mãos de pretensão
Nem de operárias de testas grandes
Que incendeiam nos bosques o cheiro da usina
Um sol ébrio de alcatrão.
São vergadoras de espinhas,
Mãos que não fazem mal jamais,
Mais fatais que as máquinas,
Mais fortes que todo um cavalo!
Se agitando como fornalhas,
E sacudindo todos os arrepios,
Sua carne canta as Marselhesas
E jamais os Eleisons!
Isso apertaria vossos pescoços, ô mulheres
Maldosas, isso trituraria vossas mãos,
Mulheres nobres, vossas mãos infames
Plenas de brancos e carmins.
O brado destas mãos amorosas
gira o crânio das ovelhas!
Em suas falanges saborosas
O grande sol coloca um rubi!
Uma missão de populacho os queima
Como um ventre de ontem;
O dorso destas Mãos é o lugar
Em que se beijou todo revoltado orgulhoso!
Elas empalideceram, maravilhosas,
Ao grande sol de amor sobrecarregado,
Sobre o bronze das metralhadoras
Através da Paris insurrecta!
Ah! algumas vezes, ô mãos sagradas,
Em vossos punhos, mãos onde tremem nossos
lábios jamais ficam sóbrios,
Apregoa-se uma cadeia de claros anéis!
E é um sobressalto estranho
Dentro de nossos seres, quando algumas vezes,
Quer-se vos rebocar, mãos de anjo,
E vos fazendo sangrar os dedos.
______________________________________
NT>:Alusão à repressão de Versailles. Houve por volta de 20.000 mortos entre os da Comuna. Comboios de prisioneiros foram levados a Marseille: 150 a 200 por dia, ligados
mão a mão por fileiras de quatro (=cf. "Crie une chaine aux clairs anneaux) .Eles foram
insultados e batidos pela multidão dos snobs e dos elegantes. De onde: "En vous faisant
saigner des doigts")
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Ophélie, Arthur Rimbaud
Ofélia
I
Sobre a onda calma e negra onde dormem as estrelas
A branca Ofélia flutua como um grande lírio,
Flutua tão lentamente, deitada em seus longos véus...
_ Ouvem-se nos bosques longínquos toques de rendição...
Eis que mais de mil anos que a triste Ofélia
Passa, fantasma branco, sobre o longo rio negro,
Eis que mais de mil anos que sua doce loucura
Murmura seu romance à brisa da tarde.
O vento beija seus seios e exibe em corola
Seus grandes véus embalados molemente pelas águas;
Os salgueiros arrepiados choram sobre seu ombro,
Sobre sua fronte sonhadora inclinam-se os juncos.
Os nenúfares ressentidos suspiram em volta dela;
Ela desperta por vezes num amieiro que dorme,
Algum ninho, de onde escapa um pequeno frêmito de asa:
_ Um canto misterioso baixa astros de ouro.
II
Ô pálida Ofélia, bela como a neve!
Sim, tu morreste, criança, por um rio arrastado!
_ É que os ventos tombando os grandes montes da Noruega
Te haviam falado muito baixo da áspera liberdade;
É que um suspiro, entrançando tua grande cabeleira
Em teu espírito sonhador produzia estranhos barulhos;
Que teu coração escutava o canto da Natureza
Nos sussurros da árvore e os suspiros das noites;
É que a voz dos mares loucos, imenso estertor,
Destroçava teu seio de criança, humano demais e demais doce.
É que uma manhã de abril, um belo cavaleiro pálido,
Um pobre louco, sentou-se mudo a teus joelhos!
Céu! Amor! Liberdade! Que sonho, ô pobre louca!
Tu te dissolvia nele como uma neve ao fogo;
Tuas grandes visões estrangulavam tua palavra
_E o Infinito terrível assombrou teu olho azul!
III
_E o Poeta diz que aos raios das estrelas
Tu vens procurar, a noite, as flores que tu colheste;
E que ele viu sobre a água, deitada em seus longos véus,
A branca Ofélia flutuar , como uma grande flor de Lis.
I
Sobre a onda calma e negra onde dormem as estrelas
A branca Ofélia flutua como um grande lírio,
Flutua tão lentamente, deitada em seus longos véus...
_ Ouvem-se nos bosques longínquos toques de rendição...
Eis que mais de mil anos que a triste Ofélia
Passa, fantasma branco, sobre o longo rio negro,
Eis que mais de mil anos que sua doce loucura
Murmura seu romance à brisa da tarde.
O vento beija seus seios e exibe em corola
Seus grandes véus embalados molemente pelas águas;
Os salgueiros arrepiados choram sobre seu ombro,
Sobre sua fronte sonhadora inclinam-se os juncos.
Os nenúfares ressentidos suspiram em volta dela;
Ela desperta por vezes num amieiro que dorme,
Algum ninho, de onde escapa um pequeno frêmito de asa:
_ Um canto misterioso baixa astros de ouro.
II
Ô pálida Ofélia, bela como a neve!
Sim, tu morreste, criança, por um rio arrastado!
_ É que os ventos tombando os grandes montes da Noruega
Te haviam falado muito baixo da áspera liberdade;
É que um suspiro, entrançando tua grande cabeleira
Em teu espírito sonhador produzia estranhos barulhos;
Que teu coração escutava o canto da Natureza
Nos sussurros da árvore e os suspiros das noites;
É que a voz dos mares loucos, imenso estertor,
Destroçava teu seio de criança, humano demais e demais doce.
É que uma manhã de abril, um belo cavaleiro pálido,
Um pobre louco, sentou-se mudo a teus joelhos!
Céu! Amor! Liberdade! Que sonho, ô pobre louca!
Tu te dissolvia nele como uma neve ao fogo;
Tuas grandes visões estrangulavam tua palavra
_E o Infinito terrível assombrou teu olho azul!
III
_E o Poeta diz que aos raios das estrelas
Tu vens procurar, a noite, as flores que tu colheste;
E que ele viu sobre a água, deitada em seus longos véus,
A branca Ofélia flutuar , como uma grande flor de Lis.
sábado, 31 de março de 2012
Horses at midnight without a moon, Jack Gilbert
Cavalos à meia-noite sem uma lua
Nossos corações vagueiam perdidos nas florestas escuras
Nosso sonho luta no castelo da dúvida.
Mas há música em nós. A esperança empurra pra baixo
Mas o anjo voa outra vez nos levando com ela.
As manhãs de verão começam passo a passo
Enquanto dormimos, e caminha conosco mais tarde
Como pernas longas a beleza perpassa
As ruas sujas. Não é surpresa que o perigo e o sofrimento
nos envolva. O que surpreende é o canto.
Sabemos que os cavalos estão lá no escuro na campina
porque nós podemos cheirá-los, podemos ouvi-los respirar.
Nosso espírito persiste como um homem lutando
através do vale congelado que de repente, perfume de flores
e percebe a neve derretendo fora da vista em cima da montanha,
sabe que a primavera começou.
Nossos corações vagueiam perdidos nas florestas escuras
Nosso sonho luta no castelo da dúvida.
Mas há música em nós. A esperança empurra pra baixo
Mas o anjo voa outra vez nos levando com ela.
As manhãs de verão começam passo a passo
Enquanto dormimos, e caminha conosco mais tarde
Como pernas longas a beleza perpassa
As ruas sujas. Não é surpresa que o perigo e o sofrimento
nos envolva. O que surpreende é o canto.
Sabemos que os cavalos estão lá no escuro na campina
porque nós podemos cheirá-los, podemos ouvi-los respirar.
Nosso espírito persiste como um homem lutando
através do vale congelado que de repente, perfume de flores
e percebe a neve derretendo fora da vista em cima da montanha,
sabe que a primavera começou.
O Gato Voador, Naomi Shihab Nye
O Gato Voador
Nunca, em toda sua carreira de preocupação, você imaginou
o que preocupa pudesse ocorrer no que concerne o gato voador.
Você está viajando para uma cidade distante
O gato deve viajar numa pequena caixa com buracos.
Será o compartimento da bagagem pressurizada?
A maleta do soldado cairá no gato durante a decolagem?
Congelará o gato?
Você faz essas perguntas uma por uma em vozes diferentes
ao telefone. Algumas você obtém uma resposta, algumas vezes
um click. Agora está afetando tudo que você faz.
No jantar você sente náuseas, como se estivesse engolindo
a vinte mil pés de altitude. Nos sonhos você abana cabeças de
peixe, mas o gato cresceu propulsor,
O gato está girando fora da vista!
Ele desmaiará quando o avião aterrissar?
O compartimento da bagagem é à prova de som?
O gato ficará surdo?
"Senhora, se a cabine não fosse pressurizada,
seu gato explodiria."
E falado num tom zombeteiro e impessoal, como se
a explosão de gatos fosse outra estatística!
Abraçando o gato antes da partida, você percebe novamente
a língua privada da dor. Ele ronrona. Ele confia em você.
Ele sabe pouco de planetas ou satélites, buracos negros no
espaço ou a falta de peso da elevação do medo.
Nunca, em toda sua carreira de preocupação, você imaginou
o que preocupa pudesse ocorrer no que concerne o gato voador.
Você está viajando para uma cidade distante
O gato deve viajar numa pequena caixa com buracos.
Será o compartimento da bagagem pressurizada?
A maleta do soldado cairá no gato durante a decolagem?
Congelará o gato?
Você faz essas perguntas uma por uma em vozes diferentes
ao telefone. Algumas você obtém uma resposta, algumas vezes
um click. Agora está afetando tudo que você faz.
No jantar você sente náuseas, como se estivesse engolindo
a vinte mil pés de altitude. Nos sonhos você abana cabeças de
peixe, mas o gato cresceu propulsor,
O gato está girando fora da vista!
Ele desmaiará quando o avião aterrissar?
O compartimento da bagagem é à prova de som?
O gato ficará surdo?
"Senhora, se a cabine não fosse pressurizada,
seu gato explodiria."
E falado num tom zombeteiro e impessoal, como se
a explosão de gatos fosse outra estatística!
Abraçando o gato antes da partida, você percebe novamente
a língua privada da dor. Ele ronrona. Ele confia em você.
Ele sabe pouco de planetas ou satélites, buracos negros no
espaço ou a falta de peso da elevação do medo.
terça-feira, 27 de março de 2012
Going for Peaches, Naomi Shihab Nye
Avançando nos pêssegos, Fredericksburg, Texas
Aqueles com experiência procuram uma espécie especial.
Globo Vermelho, a pele escorrega como bonita camisola de seda.
O menino parte um, aberto em suas mãos. Sim, é bom, minhas
parentes dizem, mas olharemos em volta.
Elas querem que eu pare a cada barraca de pêssego, entre Stonewall
e Fredericksburg, deixam o ar-condicionado ligado,
pulam fora e perguntam o preço.
Chegando até aqui elas falavam sobre as melhores formas
de morrer. Uma favorece uma queda de avião, mas não em cima
da cidade. Uma quer ter certeza sua grama tenha sido aguada quando
se for,
Senhoras, senhoras! Este pêssego é bom, ele ruboriza em ambos os
lados. Mas elas querem continuar andando.
Em Fredericksburg as casas são de pedra, me lembram relógios
de pulso, vidro polido, os anos tiquetaqueando em cada parede.
Eu não gosto de pedra, diz uma, o que seria se ela sentisse?
Eu não gosto de Fredericksburg, diz a outra. Alemães demais
dirigindo devagar demais. Ela mesma é alemã quanto Stuttgard.
O dia empurra pra frente exaustivas queixas, encanta sobre seu
ossudo osso.
Na verdade, senhoras (não consigo resistir), eu não acho que
vocês querem pêssegos, afinal, vocês só querem algumas
colinas envolvendo suas cabeças.
As compras começam imediatamente, de uma mulher com cachecol
que diz ter desistido de ensinar, pelos pêssegos.
Ela nos faz assinar um livro de convidados. Uma tia insiste em recarregar
sua caixa para ver a fruta no fundo. Uma rejeita o menor ferimento
Mas senhora, a vendedora insiste, a natureza não é perfeita.
Suas mãos estão manchadas, como pêssego.
Na estrada, carros tecem formas soltas entre as vias
Flutuaremos em florido aroma de pêssego
de volta às separadas chaleiras, nossas mesas privadas
e facas, e a enfileirada doação generosa,
decidindo quais vão aonde.
Um pêssego enlatado, diz uma das tias, dura dez anos.
Ela tinha 87 semana passada. Mas um pêssego congelado
tem melhor sabor com sorvete.
Tudo que aprendemos até aqui, peles vivas e maduras,
em um dia que foi real para nós, aquele era o verão,
movimento saindo e memória chegando.
Aqueles com experiência procuram uma espécie especial.
Globo Vermelho, a pele escorrega como bonita camisola de seda.
O menino parte um, aberto em suas mãos. Sim, é bom, minhas
parentes dizem, mas olharemos em volta.
Elas querem que eu pare a cada barraca de pêssego, entre Stonewall
e Fredericksburg, deixam o ar-condicionado ligado,
pulam fora e perguntam o preço.
Chegando até aqui elas falavam sobre as melhores formas
de morrer. Uma favorece uma queda de avião, mas não em cima
da cidade. Uma quer ter certeza sua grama tenha sido aguada quando
se for,
Senhoras, senhoras! Este pêssego é bom, ele ruboriza em ambos os
lados. Mas elas querem continuar andando.
Em Fredericksburg as casas são de pedra, me lembram relógios
de pulso, vidro polido, os anos tiquetaqueando em cada parede.
Eu não gosto de pedra, diz uma, o que seria se ela sentisse?
Eu não gosto de Fredericksburg, diz a outra. Alemães demais
dirigindo devagar demais. Ela mesma é alemã quanto Stuttgard.
O dia empurra pra frente exaustivas queixas, encanta sobre seu
ossudo osso.
Na verdade, senhoras (não consigo resistir), eu não acho que
vocês querem pêssegos, afinal, vocês só querem algumas
colinas envolvendo suas cabeças.
As compras começam imediatamente, de uma mulher com cachecol
que diz ter desistido de ensinar, pelos pêssegos.
Ela nos faz assinar um livro de convidados. Uma tia insiste em recarregar
sua caixa para ver a fruta no fundo. Uma rejeita o menor ferimento
Mas senhora, a vendedora insiste, a natureza não é perfeita.
Suas mãos estão manchadas, como pêssego.
Na estrada, carros tecem formas soltas entre as vias
Flutuaremos em florido aroma de pêssego
de volta às separadas chaleiras, nossas mesas privadas
e facas, e a enfileirada doação generosa,
decidindo quais vão aonde.
Um pêssego enlatado, diz uma das tias, dura dez anos.
Ela tinha 87 semana passada. Mas um pêssego congelado
tem melhor sabor com sorvete.
Tudo que aprendemos até aqui, peles vivas e maduras,
em um dia que foi real para nós, aquele era o verão,
movimento saindo e memória chegando.
Streets, Naomi Shihab Nye
Ruas
Um homem deixa o mundo
e as ruas em que ele viveu
crescem um pouco menos.
Mais uma janela escura
nesta cidade, os figos em seus galhos
suavizarão para os pássaros.
Se permanecemos quietos noites suficientes
Aí cresce uma companhia completa para nós
ficando quietamente juntos.
Acima da cabeça melros estão reivindicando suas árvores
e o céu que costura, sem descanso costurando,
deixa cair sua bainha rouxa.
Cada coisa em seu tempo, em seu lugar,
Seria agradável pensar o mesmo sobre pessoas.
Algumas pessoas fazem isso. Dormem completamente,
acordando recompostos. Outras vivem em dois mundos,
o perdido e o lembrado. Elas dormem duas vezes, uma vez
para aquele que se foi, uma vez para si mesmos.
Sonham densamente, duplo sonho, acordam
de um sonho dentro do outro, caminham nas pequenas ruas
chamando nomes, e então eles respondem.
Um homem deixa o mundo
e as ruas em que ele viveu
crescem um pouco menos.
Mais uma janela escura
nesta cidade, os figos em seus galhos
suavizarão para os pássaros.
Se permanecemos quietos noites suficientes
Aí cresce uma companhia completa para nós
ficando quietamente juntos.
Acima da cabeça melros estão reivindicando suas árvores
e o céu que costura, sem descanso costurando,
deixa cair sua bainha rouxa.
Cada coisa em seu tempo, em seu lugar,
Seria agradável pensar o mesmo sobre pessoas.
Algumas pessoas fazem isso. Dormem completamente,
acordando recompostos. Outras vivem em dois mundos,
o perdido e o lembrado. Elas dormem duas vezes, uma vez
para aquele que se foi, uma vez para si mesmos.
Sonham densamente, duplo sonho, acordam
de um sonho dentro do outro, caminham nas pequenas ruas
chamando nomes, e então eles respondem.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Lunch in Nablus City Park, Naomi Shihab Nye
Almoço em Nablus City Park
Quando você almoça numa cidade que recentemente conheceu a guerra
sob um calmo céu de ardósia espelhando nada disso,
Certas palavras sentem impossíveis na boca.
Acidente: acidental demais, deve ser mudado.
Um homem baixo fixa um monte de pão de fibra na piteira
em cada beira da mesa, murmurando algo sobre haver mais por vir.
Pássaros arrojados aterrissam nos bancos do parque
certamente tiveram seus olhos fechados recentemente
não devem ter visto nada das armas ou bloqueios.
Quando a mulher diante de você cochicha
eu não acho que possamos suportar mais
e você diz que há pessoas rezando por ela
nas montanhas do Himalaya, e ela diz
Senhora, não é suficiente. E aí?
Uma travessa de almôndegas em forma de charuto,
prato de tomate, amigos molhando o pão -
Eu não me casarei até que haja um amor verdadeiro, diz alguém
lançando pra trás sua cascata de perfumado cabelo.
ele diz que a Universidade do Texas parece remota para ele
como Marte, e o mês passado ele ficou em casa 26 dias. Ele não sairá,
se recusa a sair. No mercado estão vendendo sapatos de homem
com abertura para ventilação; um mendigo exibe a gigante crosta de ferida
se arrastando de viela em viela,
e estudantes se reúnem para discutir o que constitui um protesto genuíno.
Nos verões, este Café fica cheio. Hoje apenas uma mesa envia risada para as árvores.
O que não pode ser respondido marca a toalha de mesa entre os quadrados
de branco e vermelho. Onde as almas das colinas se escondem quando há
tiroteio nos vales? O que faz um homem com arma parecer maior que um
homem com amêndoas?
Como pode haver guerra e no dia seguinte comer, um homem fixando pratos
na virada do braço; uma mesa de pessoas brindando um ao outro em linguagens
de graça: Para você que veio de tão longe; Para você que resistiu, usando um cachecol preto para significar o luto; Para você que acredita em amor verdadeiro possa encontrar
você entre esse atlas de lágrimas ligando uma cidade e sua memória de morteiro,
quando era ainda um sonho a construir, e as pessoas se mudaram pra cá, acreditando,
e alguém com céu e pássaros em seu coração disse que este seria um bom
lugar para um parque.
Quando você almoça numa cidade que recentemente conheceu a guerra
sob um calmo céu de ardósia espelhando nada disso,
Certas palavras sentem impossíveis na boca.
Acidente: acidental demais, deve ser mudado.
Um homem baixo fixa um monte de pão de fibra na piteira
em cada beira da mesa, murmurando algo sobre haver mais por vir.
Pássaros arrojados aterrissam nos bancos do parque
certamente tiveram seus olhos fechados recentemente
não devem ter visto nada das armas ou bloqueios.
Quando a mulher diante de você cochicha
eu não acho que possamos suportar mais
e você diz que há pessoas rezando por ela
nas montanhas do Himalaya, e ela diz
Senhora, não é suficiente. E aí?
Uma travessa de almôndegas em forma de charuto,
prato de tomate, amigos molhando o pão -
Eu não me casarei até que haja um amor verdadeiro, diz alguém
lançando pra trás sua cascata de perfumado cabelo.
ele diz que a Universidade do Texas parece remota para ele
como Marte, e o mês passado ele ficou em casa 26 dias. Ele não sairá,
se recusa a sair. No mercado estão vendendo sapatos de homem
com abertura para ventilação; um mendigo exibe a gigante crosta de ferida
se arrastando de viela em viela,
e estudantes se reúnem para discutir o que constitui um protesto genuíno.
Nos verões, este Café fica cheio. Hoje apenas uma mesa envia risada para as árvores.
O que não pode ser respondido marca a toalha de mesa entre os quadrados
de branco e vermelho. Onde as almas das colinas se escondem quando há
tiroteio nos vales? O que faz um homem com arma parecer maior que um
homem com amêndoas?
Como pode haver guerra e no dia seguinte comer, um homem fixando pratos
na virada do braço; uma mesa de pessoas brindando um ao outro em linguagens
de graça: Para você que veio de tão longe; Para você que resistiu, usando um cachecol preto para significar o luto; Para você que acredita em amor verdadeiro possa encontrar
você entre esse atlas de lágrimas ligando uma cidade e sua memória de morteiro,
quando era ainda um sonho a construir, e as pessoas se mudaram pra cá, acreditando,
e alguém com céu e pássaros em seu coração disse que este seria um bom
lugar para um parque.
sábado, 24 de março de 2012
The Words Under The Words, Naomi Shihab Nye
Palavras sob Palavras
As mãos de minha avó reconhecem uvas,
o brilho úmido de uma nova pele de cabra.
Quando eu ficava doente elas me seguiam,
Eu acordava da longa febre para encontrá-las
cobrindo minha cabeça como refrigeradas rezas.
Os dias de minha avó eram feitos de pão,
um redondo de tapinhas e vagaroso assar.
Ela espera ao lado do forno observando um carro
estranho que circula nas ruas. Talvez ele contenha
seu filho, perdido para a América. Mais frequente, turistas,
que ajoelham e pranteiam diante de misteriosos relicários.
Ela sabe quão frequente chega o correio,
Quão raro há uma carta.
Quando uma vem, ela a anuncia um milagre,
ouvindo-a ler de novo e de novo
na turva luz da noite.
A voz de minha avó diz nada que possa surpreendê-la.
Seja seu ferimento de arma de fogo ou o bebê aleijado.
Ela conhece os espaços que atravessamos em viagem,
os recados que não conseguimos enviar - nossas vozes são curtas
e se perderiam na jornada.
Adeus ao casaco do marido, 'aqueles que ela amou e nutriu,
Aqueles que voam longe dela como sementes em profundo céu.
Eles se plantarão a si mesmos. Nós todos morreremos.
Os olhos de minha avó dizem Alá que está em todo lugar,
até na morte. Quando ela fala da orquídea e do novo lagar de oliva,
Quando ela conta histórias de Joha e seus saberes bobos,
Ele é o seu primeiro pensamento, o que ela realmente pensa
é de Seu nome. "Responda, se você ouvir palavras sob palavras -
do contrário é simplesmente um mundo com muitas duras arestas,
difícil de penetrar, e nossos bolsos cheios de pedras."
As mãos de minha avó reconhecem uvas,
o brilho úmido de uma nova pele de cabra.
Quando eu ficava doente elas me seguiam,
Eu acordava da longa febre para encontrá-las
cobrindo minha cabeça como refrigeradas rezas.
Os dias de minha avó eram feitos de pão,
um redondo de tapinhas e vagaroso assar.
Ela espera ao lado do forno observando um carro
estranho que circula nas ruas. Talvez ele contenha
seu filho, perdido para a América. Mais frequente, turistas,
que ajoelham e pranteiam diante de misteriosos relicários.
Ela sabe quão frequente chega o correio,
Quão raro há uma carta.
Quando uma vem, ela a anuncia um milagre,
ouvindo-a ler de novo e de novo
na turva luz da noite.
A voz de minha avó diz nada que possa surpreendê-la.
Seja seu ferimento de arma de fogo ou o bebê aleijado.
Ela conhece os espaços que atravessamos em viagem,
os recados que não conseguimos enviar - nossas vozes são curtas
e se perderiam na jornada.
Adeus ao casaco do marido, 'aqueles que ela amou e nutriu,
Aqueles que voam longe dela como sementes em profundo céu.
Eles se plantarão a si mesmos. Nós todos morreremos.
Os olhos de minha avó dizem Alá que está em todo lugar,
até na morte. Quando ela fala da orquídea e do novo lagar de oliva,
Quando ela conta histórias de Joha e seus saberes bobos,
Ele é o seu primeiro pensamento, o que ela realmente pensa
é de Seu nome. "Responda, se você ouvir palavras sob palavras -
do contrário é simplesmente um mundo com muitas duras arestas,
difícil de penetrar, e nossos bolsos cheios de pedras."
Blood, Naomi Shihab Nye
Sangue
"Um verdadeiro árabe sabe como agarrar uma mosca em suas mãos",
meu pai diria. E o provaria, espalmando o zumbidor instantaneamente
enquanto o hóspede com o moscadeiro fixava seu olhar.
Na primavera nossas palmas despelavam como cobras.
Verdadeiros árabes acreditavam que a melancia podia curar de cinquenta maneiras
Eu mudei isso para encaixar a ocasião.
Anos antes, uma jovem bateu à porta, queria ver o árabe.
Eu disse que não tínhamos um.
Depois disso, meu pai me contou quem era ele, "shihab" - "estrela cadente",
um bom nome, emprestado do céu.
Uma vez eu disse, "Quando morremos, nós a devolvemos?"
Ele disse que era o que um verdadeiro árabe diria.
Hoje as manchetes coagularam no meu sangue
Um pequeno palestino está dependurado num caminhão, na primeira página,
Sem-teto sem valor, esta tragédia com uma terrível origem
é grande demais para nós. Qual bandeira podemos tremular?
Eu agitei a bandeira de pedra e semente, esteira costurada em azul.
Eu chamo meu pai, nos falamos sobre as notícias.
É demais para ele, nenhuma de suas duas línguas pode alcançá-lo.
Eu dirijo para o interior para encontrar carneiro, vacas,
para apelar ao ar: "Quem chama alguém de civilizado?
Onde pode o coração choroso roçar?
O que um verdadeiro árabe faz agora?
"Um verdadeiro árabe sabe como agarrar uma mosca em suas mãos",
meu pai diria. E o provaria, espalmando o zumbidor instantaneamente
enquanto o hóspede com o moscadeiro fixava seu olhar.
Na primavera nossas palmas despelavam como cobras.
Verdadeiros árabes acreditavam que a melancia podia curar de cinquenta maneiras
Eu mudei isso para encaixar a ocasião.
Anos antes, uma jovem bateu à porta, queria ver o árabe.
Eu disse que não tínhamos um.
Depois disso, meu pai me contou quem era ele, "shihab" - "estrela cadente",
um bom nome, emprestado do céu.
Uma vez eu disse, "Quando morremos, nós a devolvemos?"
Ele disse que era o que um verdadeiro árabe diria.
Hoje as manchetes coagularam no meu sangue
Um pequeno palestino está dependurado num caminhão, na primeira página,
Sem-teto sem valor, esta tragédia com uma terrível origem
é grande demais para nós. Qual bandeira podemos tremular?
Eu agitei a bandeira de pedra e semente, esteira costurada em azul.
Eu chamo meu pai, nos falamos sobre as notícias.
É demais para ele, nenhuma de suas duas línguas pode alcançá-lo.
Eu dirijo para o interior para encontrar carneiro, vacas,
para apelar ao ar: "Quem chama alguém de civilizado?
Onde pode o coração choroso roçar?
O que um verdadeiro árabe faz agora?
quinta-feira, 22 de março de 2012
Making a Fist, Naomi Shihab Nye
Pela primeira vez, na estrada Norte de Tampico,
Eu senti a vida escorregando de mim,
um tambor no deserto, mais opressivo e mais opressivo de ouvir.
Eu tinha sete anos, deitei no carro observando as palmeiras girarem
num padrão doentio passava na vidraça
Meu estômago era um melão cindido amplo dentro da minha pele.
"Como você sabe se você está indo morrer?"
Eu supliquei à minha mãe. Estivemos viajando por dias.
Com estranha confidência ela respondeu,
"Quando você não consegue mais fechar a mão."
Anos mais tarde eu sorrio em pensar naquela jornada,
as fronteiras que devemos cruzar separadamente,
estampadas com nossas angústias irrespondíveis.
Eu que não morri, que estou ainda viva,
ainda deitada no banco de trás detrás de todas as minhas perguntas,
cerrando e abrindo o punho de uma pequena mão.
Eu senti a vida escorregando de mim,
um tambor no deserto, mais opressivo e mais opressivo de ouvir.
Eu tinha sete anos, deitei no carro observando as palmeiras girarem
num padrão doentio passava na vidraça
Meu estômago era um melão cindido amplo dentro da minha pele.
"Como você sabe se você está indo morrer?"
Eu supliquei à minha mãe. Estivemos viajando por dias.
Com estranha confidência ela respondeu,
"Quando você não consegue mais fechar a mão."
Anos mais tarde eu sorrio em pensar naquela jornada,
as fronteiras que devemos cruzar separadamente,
estampadas com nossas angústias irrespondíveis.
Eu que não morri, que estou ainda viva,
ainda deitada no banco de trás detrás de todas as minhas perguntas,
cerrando e abrindo o punho de uma pequena mão.
My life closed twice before its close, Emily Dickinson
Minha vida se fechou duas vezes antes de seu fechamento;
E ainda assim permanece para ver
Se a Imortalidade desvela
Um terceiro evento para mim.
Tão enorme, tão sem esperança de conceber
Como esses que caem duas vezes;
Partir é tudo que sabemos do paraíso,
E tudo que precisamos do inferno.
E ainda assim permanece para ver
Se a Imortalidade desvela
Um terceiro evento para mim.
Tão enorme, tão sem esperança de conceber
Como esses que caem duas vezes;
Partir é tudo que sabemos do paraíso,
E tudo que precisamos do inferno.
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