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terça-feira, 9 de março de 2010

Aos 100 Anos do Dia Internacional da Mulher: uma carta

Quando neste ano comemoramos 100 anos do Dia Internacional da Mulher: uma carta de repúdio:

"Nós, Conselheiras e Conselheiros do Conselho Nacional de Políticas de promoção da Igualdade Racial - CNPIR, vimos através desta, repudiar a opinião expressada pelo excelentíssimo senador da república Demóstenes Torres, presidente da Comissão Justiça e Cidadania do Senado Federal, no seu pronunciamento durante a Audiência Pública no Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF), no dia 03 de março de 2.010, que analisava o recurso instituído pelo Partido Democratas contra as Cotas para Negros na Universidade de Brasília.

Ele afirmou que:
  • "as mulheres negras não foram vítimas dos abusos sexuais, dos estupros cometidos pelos Senhores de Escravos, e que houve sim consentimento por parte destas mulheres. Na sua opinião: Tudo era consensual!
  • Descarta a possibilidade da violência física e sexual vivida por negras africanas neste período supracitado. Relembra-nos a frase: Estupra, mas não mata!!!
  • As mulheres negras usam de um discurso vitimizado ao afirmarem que são vítimas diretas dos maus tratos e discriminações no que se refere ao atendimento destas na saúde pública.
  • Que as pesquisas apresentadas para justificar a necessidade de políticas públicas específicas, são duvidosas e que nem sempre são confiáveis, pois podem ser burladas e conter números falsos.
Enquanto o Estado brasileiro reconhece a situação de violência física e sexual sofrida pelas mulheres brasileiras, criando mecanismos de proteção como a Lei Maria da Penha, quando neste ano comemoramos 100 anos do Dia Internacional da Mulher, o excelentíssimo senador vem na contramão da história e dos fatos, expressando o mais refinado preconceito, machismo e racismo incrustado na sociedade brasileira.

Ao tempo em que resgatamos a dignidade das mulheres negras e indígenas, que durante a formação desta grande nação:
foram SIM abusadas, foram Sim torturadas, foram Sim violentadas em seu físico e sua dignidade. Aos filhos de seus algozes - o leite do seu peito
Aos seus filhos - o chicote

Não nos curvaremos ao discurso machista e racista do senador!
É inaceitável, que o pensamento dos Senhores de Engenho se expresse em atitudes no Parlamento Brasileiro." Brasília, 05 de março de 2.010.




quarta-feira, 13 de maio de 2009

Qu'est-ce un homme? Qu'est-ce une femme?

"Sur l'homme les psychanalystes, à la suite de Freud et Lacan, disent, non pas que c'est un animal politique, comme Aristote, ou un animal qui rie - pas tellement d'ailleurs -, mais ils disent que c'est un animal qui est parasité par la parole. Qui est parasité par la parole puisque, si l'on y prête un peu attention, on voit très facilement que c'est la parole qui régit son rapport au monde et à lui-même, et qu'il passe une partie essentiel de son temps, moins sans doute dans un rapport à l'environnement voire au travail, que dans un rapport à la parole. Je dirais même que je trouve affolant le bruit qu'en permanence nous faisons avec la parole. Nous ne cessons d'être plongés dedans, captés par elle, et agités par elle. Il est bien évident que, par exemple, il suffirait de prononcer certains mots, pour pouvoir à l'occasion provoquer une émeute, une insurrection. Rien que des mots. Rien de plus. Pas besoin d'acte.

(...): mais alors, une dame, une femme, c'est aussi un animal doué de la parole? Et bien justement, ce n'est pas tout à fait ce que l'on peut dire. C'est ça qui est bizarre. Parce que justement, l'une des propriétés d'une femme - et c'est bien souvent ce dont elles se plaignent - c'est de ne pas trouver la parole qui leur serait propre, qui leur serait spécifique, qui serait bien la leur, celle dont elles pourraient valeureusement se réclamer et imposer. Elles ont plutôt l'impression de répondre que, à proprement, de parler. Et dans le souci, justement, de répondre du mieux qu'elles peuvent, c'est à dire tantôt dans l'acquiescement, dans le consentement, tantôt dans la révolte. Dans la révolte justement - je dirais - , de cette parole qui serait spécifiquement féminine. (...) Il est bien évident que, s'il y avait une parole qui serait ainsi spécifiquement féminine, si nos filles n'étaient pas muettes, il est bien évident que notre situation, aux uns et aux autres, s'en trouverait changée."

(fragmento de artigo de Charles Melman: "Aimons-nous encore les femmes?"