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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O Grande Sono - Philip Schultz

O Grande Sono


(do original em inglês de Philip Schultz, publicado na New Yorker)


"A única coisa que nos consola por nossas misérias é a diversão, e também
 esta é a maior de nossas misérias."


Nos filmes clássicos de Turner, Philip Marlowe está fazendo careta
para a provocante beleza da mulher que se tornará a esposa
do ator atuando ele mesmo.
O homem fazendo meu papel até às três desta manhã,
preocupado com o custo da escola primária,
Seguro médico, e a vagarosa trituração de sua poupança, está vestindo
descorado modelo por causa de um gráfico de mancha 
listava seu sorriso como segundo ao pior.
Na CNN estranhos dioramas de Bagdá,
do Sudão, e Gaza representavam formas recentes
da miséria humana. Há algum gráfico que meça nossa ignorância e vaidade?
Na PBS filósofos estão debatendo o que
Nietzche quis dizer por nosso desejo de criar
além de nós mesmos a mais pura vontade.
O fogo sexual nos olhos de âmbar de Lauren Bacall esteja atuando, talvez?
Na Western Channel a brancura dos dentes de Joel McCrae
sobreviveu a tempestades de poeira, mascando tabaco,
e sua nostalgia de temperamento para a brutalidade
de seu pequenino momento. Alguns acreditam que consumimos nossa originalidade,
que nosso diorama não representará nada.
Na Disney Channel todos os cinquenta e seis assinantes da Declaração 
da Independência estão gritando sobre a indignidade da dominação
para todos exceto talvez aqueles que atendem a seus campos e crianças? 
o homem atuando como Nietzche tornou-se enfadado em tentar tornar
a felicidade em pura vontade?
Chapéu sobre chapéu, o homem atuando como meu pai ficou perpendicular
à exaustão,
não-estudado, sombra de imigrante, lamentando nosso hino nacional. Um
homem resiste por alguma coisa, ele disse. O ator que faz o papel de Marlowe
compreende que Marlowe resiste por nada?
No History Channel homens e bestas estão sendo abatidos por facões, explosões
e enforcamentos, seus inchados, mistificados corpos
caindo nas ravinas, dobrando seus joelhos gritando por suas mães e Deus
para salvá-los.
São três da manhã e em todo lugar
em minha volta o silêncio resiste por nada
e mesmo o deus atuando como Deus
quer dormir.

sábado, 21 de janeiro de 2012

O Circo de um Homem Só, Charles Simic

O Circo de um Homem Só 
(de Charles Simic, publicado pela New Yorker)


Ilusionista de chapéus e granadas de mão acesas.
Acrobata, contorcionista, apresentador,
Estátua viva, andador na corda, artista da evasão,
Ventriloquista amador e leitor da mente,


Fazendo isso tudo sem ser detectado
Enquanto vagarosamente andando à toa na rua,
Comprando um jornal em alguma esquina,
Inclinando-se para passar a mão no cachorro de um cego,


Ou sentando-se no outro lado de sua mulher ao jantar,
Enquanto ela tagarela sobre o tempo,
Concentrando, em vez disso, num trapézio em sua cabeça,
Os tigres andando compassados raivosamente em sua jaula.

Pastoral Roanoke, David Huddle

                              Pastoral Roanoke
(poema de David Huddle, publicado na revista New Yorker)


Cardeal, pintassilgo, chopim, bútio de peru - 
queridas companhias das minhas tardes -
acima deste morro, altas núvens sonham com nevascas


para nevar-me até que a primavera termine minha solidão.
Controlada é a minha farra agora, a natureza é o meu bar.
Carriça, pomba do luto, espião da casa, bútio de peru -


para seu entretenimento, eu canto as palavras
de canções anos 50, use a fala de bebê, sussurre
enquanto eu caminho no campo abaixo da grande nevasca -


núvens sonhadoras. Você, grande festa, bibelôs, doces pássaros
dos meus anos sêniors - meu logo do mais tarde
tordos adejam pelos cedros no cemitério


bútios de peru giram seus contornos aéreos,
através da luz do sol do lado da montanha reverencia um tom
subindo para a eternidade azul mas ouvido


pela garça pescando o riacho mágico do silêncio,
criatura desenhada pela lua.


Azulão, gaio, pardal lascando-se, bútio de peru,
núvens, e campo - eu sonho com esta vida, caminho neste mundo.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Roland Barthes e sua mãe: Notas sobre o Luto.

(Artigo de Judith Thurman, publicada na revista New Yorker.
Traduzido para o português, via inglês, as notas em francês.)

Roland Barthes foi atropelado por uma van de lavanderia, assim que pisou fora de uma calçada de Paris, em 25 de fevereiro de 1980. Ele morreu um mês mais tarde
desses ferimentos - uma morte imbecil, poderia ter dito Camus. Ele tinha sessenta e quatro anos, e foi pranteado com algo da mesma intensidade com que ele pranteia sua mãe, nestes excertos. Eles foram tirados de notas que ele começou a manter a partir do dia da morte dela, aos oitenta e quatro anos, em outubro de 1977, e foram publicadas em francês pela primeira vez no ano passado.

Aqueles que amam Barthes são lembrados, por seus escritos, da verdadeira intimidade que vincula: suprema sintonia alternada com espantoso estranhamento. Instabilidade - a instabilidade de significado, em particular - é seu constante tema. O fragmento era, enfim, a forma mais congenial a ele. Barthes foi um teórico literário e um semioticista por profissão. Mas ele era também um homem de letras no mais amplo sentido, bem como certamente o maior estilista de prosa e o maior leitor apaixonado do pós-guerra da França. Não importa qual assun to - moral, estético, linguístico, de gênero, identidade ou desejo - sua escrita é sempre uma meditação sobre a vida e a morte. " O homem que sofre e o homem que cria", conforme T.S. Eliot, desconfiava um do outro. Nestes excertos a tristeza dá a Barthes a permissão para que não pudesse nunca desistir de si mesmo: deixar ir.

26 de outubro, 1977.
Primeira noite de casamento, mas primeira noite de luto?

27 de outubro
Todas as manhãs, por volta das seis e meia, escuro do lado de fora, a metálica raquete das latas de lixo. Ela poderia dizer com alívio: a noite finalmente acabou (ela sofria durante a noite, sozinha, uma coisa cruel).
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Assim que alguém morre, arrebatada construção do futuro (trocar a mobília, etc): futuromania.
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_ S.S.: Tomarei conta de você, prescreverei algum tranquilizante.
_ R.H.: Você tem estado deprimido por seis meses, porque você sabia. Perda, depressão, trabalho, etc, mas disse discretamente, como sempre.
Irritação. Não, perda (depressão) é diferente de doença. Do que deveria ser curado? Para encontrar qual condição, que vida? Se alguém está para ser nascido, essa pessoa não está em branco, mas é um ser moral, um tema de valor - não de integração.
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Todo mundo adivinha - eu sinto isso - o grau de intensidade da perda. Mas é impossível (sem sentido, signos contraditórios) medir o quanto alguém está aflito.
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_ "Nunca mais, nunca mais!"
_ E mesmo assim,
há uma contradição: "nunca mais" é a expressão de um imortal.
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Reunião abarrotada. Inevitável, crescente futilidade. Eu penso nela, no quarto ao lado. Tudo colapsa. É, aqui, o começo formal da grande, longa perda.
Pela primeira vez em dois dias, a noção aceitável, da minha própria morte.
____________________________--

28 de outubro

Trazendo o corpo de mamãe de Paris para Urt (com J.L. e o empresário dos serviços funerários): parando para o almoço numa pequena espelunca para caminhoneiros, em Sorigny (depois de Tours). O empresário encontra um "colega" lá (levando um corpo para Haute-Vienne) e se reúne com ele para o almoço. Eu caminho alguns passos com Jean-Louis num dos lados da quadra (com seu horrível monumento aos mortos), chão de terra, o cheiro da chuva, do mato. E ainda algo com sabor de vida (por causa do doce aroma da chuva), a primeira descarga, como uma palpitação momentânea.

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29 de outubro

Que estranho: "Ela não está mais sofrendo", o quê, para quem este "ela" refere? O que significa este tempo de verbo?

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Uma assombrosa mas não angustiada noção - que ela não tem sido "tudo" para mim. Se tivesse, eu não teria escrito meu trabalho. Desde que tenho cuidado dela, os últimos seis meses de fato, ela era "tudo" para mim, e eu me esqueci completamente que eu tinha escrito. Eu não mais era nada senão desesperadamente dela. Antes, ela se fazia transparente para que eu pudesse escrever.

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Os desejos que eu tivera antes de sua morte (enquanto ela estava doente) não podem mais ser preenchidos, pois o que significaria isso é sua morte que me permite preenchê-los - sua morte poderia  ser uma liberação em algum sentido em relação aos meus desejos. Mas sua morte me mudou, eu não mais desejo o que costumava desejar. Devo esperar - supondo que tal coisa poderia acontecer - para que que um novo desejo se forme, um desejo seguinte de sua morte.

31 de outubro

Não quero falar sobre isso, por medo de fazer disso literatura - ou sem estar seguro de não fazer isso - embora por uma questão de fato literatura se origina
dentro dessas verdades.

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Segunda-feira, 3h da tarde

De volta pela primeira vez no apartamento. Como vou lidar com viver aqui totalmente sozinho? E ao mesmo tempo, está claro que não há outro lugar.

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Algumas vezes, muito brevemente, um momento branco - uma espécie de torpor - que não é um momento de esquecimento. Isso me aterroriza.

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Uma estranha nova acuidade, vendo (na rua) a feiúra das pessoas ou sua beleza.

3 de novembro

Por um lado, ela quer tudo, luto total, seu absoluto (mas então, não é ela, sou eu que a estou  investindo com a demanda para tal coisa). Por outro lado (sendo verdadeiramente ela mesma), ela me oferece luminosidade, vida, como se ela ainda estivesse dizendo: "Mas vá em frente, saia, divirta-se..."

4 de novembro

A idéia, a sensação que tive nesta manhã, da oferta de luminosidade no luto, Eric me conta hoje que acabou de de reler isto em Proust ( a oferta da avó para o narrador).
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Por volta das 6 da tarde o apartamento está aquecido, limpo, bem iluminado, agradável. Eu eu o torno assim, energeticamente, devotadamente (tendo prazer amargamente): de agora em diante e para sempre serei minha própria mãe.

5 de novembro

Tarde triste. Compras. Comprei (frivolidade) bolo para chá na padaria.
Atendendo um freguês à minha frente, a jovem atrás do balcão diz "eis aqui". A expressão que eu usava quando trazia alguma coisa à mamãe, quando estava cuidando dela.Uma vez, encaminhando para o final, meio-consciente, ela repetia, fracamente, "eis aqui"("estou aqui", uma palavra que costumávamos usar um para o outro em todas nossas vidas).
A palavra falada pela jovem na padaria me trouxe lágrimas aos meus olhos. Eu continuei a chorar por um bom tempo de volta ao silencioso apartamento.
Isso é como eu compreendo meu luto. Não diretamente na solidão, empiricamente, etc.;Parece-me que eu tenho uma espécie de conforto, de controle que faz as pessoas pensarem que estou sofrendo menos do que elas teriam imaginado. Mas isso me chega quando nosso amor de um para o outro é rompido mais uma vez.O ponto mais doloroso no mais abstrato momento...

9 de novembro

- Menos e menos para escrever, dizer, exceto isto (que eu não posso contar a ninguém).

10 de novembro

As pessoas lhe falam para manter sua "coragem". Mas o tempo para coragem foi quando ela estava doente, quando eu tomei conta dela e a vi sofrendo, sua tristeza, e quando eu tinha de segurar minhas lágrimas. Constantemente se tinha de tomar decisão, pôr uma máscara, e isso era coragem.
_ Agora, coragem significa que viverá e isso é tudo demais disso.

11 de novembro

Solidão= não ter ninguém em casa para quem se possa dizer, voltarei em tempo específico, ou a quem você possa ligar para dizer (ou a quem você possa simplesmente dizer), "eis aqui", estou em casa agora.

16 de novembro

Agora, em todo lugar, na rua, no café, eu vejo cada indivíduo sob o aspecto de inelutavelmente ter de morrer, o que é exatamente o que significa ser mortal. _ E, não menos obviamente, eu os vejo não sabendo disso assim.

17 de novembro

Luto: um país cruel onde eu não tenho mais medo.

26 de novembro

O que eu acho aterrador é o caráter descontínuo do luto.

28 de novembro

Para quem eu posso colocar essa pergunta (com alguma esperança de uma resposta)?
Ser capaz de viver sem alguém que você amava significa que você a amou menos que você pensava...?

30 de novembro
Não diga "luto". É psicanalítico demais. Não estou de luto. Eu estou sofrendo.

7 de dezembro

As palavras (simples) da Morte:
_ "É impossível!"
_ Por quê, por quê?"
_ "Para sempre"
etc.

8 de dezembro

Luto: não uma esmagadora opressão, uma interferência (que suporia um "reenchimento") mas uma disponibilidade dolorosa: Eu estou vigilante, expectante, esperando o começo de um "sentido da vida".

8 de janeiro, 1978

Todo mundo é "extremamente agradável" - e mesmo assim me sinto completamente sozinho ("Abandonitis")

12 de fevereiro

Neve, uma verdadeira tempestade de neve sobre Paris; estranho. Eu digo a mim mesmo, e sofro por isto: ela nunca mais estará aqui para ver isso, ou para eu descrevê-lo para ela.

18 de fevereiro

Eu tinha pensado que a morte de mamãe me faria alguém mais "forte", ter acesso conforme eu pudesse para a indiferença do mundo. Mas tem sido bem ao contrário: eu estou até mais frágil (sem surpresa: por nenhuma razão, um estado de abandono).

6 de março

Meu sobretudo é tão sombrio que eu sei que mamãe jamais toleraria o cachecol preto ou cinza que eu sempre uso com ele, e eu continuo a ouvir sua voz dizendo-me para usar um pouco de cor.
Pela primeira vez, então, eu decido usar um cachecol colorido (xadrez escocês).

3 de abril

Desespero: a palavra é teatral demais, uma parte da língua.

28 de maio

A verdade sobre o luto é muito simples: agora que mamãe está morta, eu me deparo com a morte (nada me separa mais disso, exceto o tempo).

7 de julho

Mostra de "Os Últimos Anos de Cézanne"
Mamãe: como Cézanne (as últimas aquarelas).
Cézanne é azul.

14 de junho
(Oito meses após): segundo luto.

15 de junho

Tudo começou de novo imediatamente: chegada dos manuscritos, pedidos, histórias das pessoas, cada pessoa impiedosamente pressionando antecipação de sua própria demanda (por amor, por gratidão): não demorou que ela partisse para que o mundo me atordoasse com sua continuidade.

17 de junho

primeiro luto
falsa liberdade
segundo luto
desolada liberdade
mortalmente, sem
valiosa ocupação

18 de julho

Cada um de nós tem seu próprio ritmo de sofrimento.

29 de julho
Biblioteca Nacional

Carta (de Proust) para Georges de Lauris, cuja mãe acabou de morrer (1907)
"Agora há uma coisa que posso falar: você apreciará certos prazeres que você não fantasiaria agora. Quando você ainda tinha sua mãe, frequentemente pensava nos dias quando não mais a teria. Agora você pensará frequente nos dias passados quando a tinha. Quando você se acostumar com essa horrível coisa que eles estarão para sempre na distância do passado, então você gentilmente sentirá seu renascer, voltando para retomar seu lugar, seu completo lugar, ao seu lado. No presente momento, isto não é possível. Deixe-se estar inerte, espere até o incompreensível poder...que te quebrou restaure-o um pouco, eu digo um pouco, pois que daqui por diante você conservará alguma coisa quebrada sobre você. Diga isso a você, também, pois é uma espécie de prazer de que você nunca amará menos, que você nunca será consolado, que você constantemente lembrará mais e mais".



domingo, 27 de novembro de 2011

THE CIRCUS WATCHER , de Mary Jo Bang, poema publicado na New Yorker, July 4, 2011

O Observador de Circo

Eu visto vermelho para combinar com o ar
que vem por sobre a cerca
e enche o jarro no qual eu guardo o dia.
Eu digo todo cachorro parece um com o outro
Mas não é verdade. Não inteiramente.
A diferença é escorregadia. Eu digo,

Apenas olhe para minha cabeça, como ela dá tilts ao examinar
essas folhas extra-largas. Elas são grandes
e azuis, o melhor para serem vistas
pelo meu olho de alfinete de almofada, tão brilhante na luz.
Estou triste. Estou feliz. Me mantenho ocupada.
Eu conto as oito pernas da lâmpada rítmica
na mesa. Aracnídia e tal.
O livro que deixo aberto, o vento sopra, ele fecha.
Final de abril faço meu horário: junho
para julho, julho para agosto. Começo a perceber
o circo será de lugares, mentes, pessoas,
prazer. A bateria de tudo isso.

Eu pratico, quando não estou segura de mim mesma,
essa repetição: sei, sei, sei, soube,
Acho que o caos me fascina, eu sei,
Sou parte disso,
uma das figuras numa jaula.

Tradução de Before Air-Conditionning, Frederick Seidel, New Yorker, July 2,2011

Tradução de Yara.


Antes do Ar Condicionado

A doçura do frescor da brisa!
O vento embarafusca as árvores.
O céu está negro. As árvores arvoreiam o verde.
O homem aparando o enorme gramado antes da chuva que faz o bem limpo.
É o cheiro da lavanderia em movimento
E o cheiro do mar, revigor iodado,
Novecentas milhas de continente,
do oceano, é o que alguém pequeno que tem febre se sinta quase melhor.
É exatamente o que uma pessoa doente precisa comer.
Talvez isso esteja vindo de Illinois no calor.
Cuidado com os corvos, porém.
Com eles em volta, croc-croc, vai nevar.
Acho que ainda estou dormindo. Espero que eu tenha rezado antes de morrer.
Ouço o leiteiro fixando o clinking nas garrafa lá fora.

COUNTRY SONGS - Dora Malech, New yorker ,july, 2011

Canções Country

Meu homem faz seu choro no cavalo rápido.
Eu faço melhor dançando com estranhos.
O grito da criança atravessa o momento
de silenciosa prece, diz "Este é um país livre",
diz "Você e qual exército". "Você não pode
trespassar sobre o rio, você está simplesmente errado
quando pisa fora daqui em direção ao campo. Todas as falsas esperanças traduzem apenas começos.
Não havia nenhuma graça de Deus. Eu fui. Não era segredo que o sol e
a lua dormiam em camas separadas.
Ele dá o aço, rouba alguma vez e
chama isso de "emprestado", hematomas, chama isso de "alguma coisa azul". Um pássaro vermelho, um pássaro amarelo,
não na mesma moldura da hora mas perto
o bastante pois sua cor juntas para fazer
uma espécie de som ressoante. Eu pensei que ele trouxesse
a água da fonte mas ele ainda está trazendo. Eu deleguei. Meu trabalho é esperar.
É beber água. Estou aprendendo a dizer
"Este é um país livre: este exército, mas não eu.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Reconstruction - de Steven Dunn. New Yorker, July 2&18/ 2011

Reconstrução

Os vulcões uma vez tão ativos,
Estão em grande parte quietos agora, dizem meus amigos
De jeito nenhum eles nos contam o que sabem.
E os dinossauros, osso por osso,
podem ser reconstruídos,
mas suas histórias, também, permanecem grandemente
incontadas, seus esqueletos, a maioria cheios,
ele diz - como caixas-pretas pré-históricas _ alto som tom agudo,
gritos indecifráveis.
Todas as teorias estão erradas meu amigo insiste,
famosas por serem mais interessantes
do que certas. Ele diz que os vulcões
ajudaram os dinossauros a se darem bem
nas terras baixas. Numa toalha de mesa
ele recria `a tinta a cena _ uma topografia
de pequenas perturbações vulcânicas
que manteve o Tyrannosaurus rex
e outras inconveniências em cheque.
E então havia um ponto de virada,
ele diz, questão de vegetação
e escassez e ganância. Uma velha história
ele chama isso, como se simplesmente afirmando um fato -
os dinossauros, quando se trata de comida,
nunca sabiam o quanto era demais,
e dado o tamanho de seus cérebros
continuavam a fazer muito de quase esquecível
de coisas estúpidas. Mas ele ouviu a si mesmo,
e aparentemente divertido, é rápido
a apontar que perdão
não era sequer um conceito ainda, ou palavra,
ainda eons distantes de
uma certa sinuosidade e o gosto por nós.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

UMA HISTORIA NEGRA DE FALANTES DE LINGUA INGLESA

POEMA DE DALJIT NAGRA - THE NEW YORKER, JULY 25,2011

Umas invocações do rei no Teatro Global
Revira-me desta minha posição atual para um tempo em que bravata de moleque e fogo de artilharia pesada
e pilhagem eram suficientes para se conseguir um assento real.

Que coisa é essa de Arte Elizabetana e uma nação
de jardins-muros em local superior a outros
domesticaria os 4 cantos do mundo... Isso
para que o domínio do Império pareça inconcebível.

Entre o nascimento do fogo e o renascimento do Globo
as visões de Albion levam para um poder inglês
de ventos tropicais*( soprando em direção ao Equador, norte-leste no N Hemisfério e sul-leste no S Hemisfério) -e- Golfo-Canal-fluxo d'água contínuo
todos - os navios de guerra conquistadores que levantaram teatros

para discursos sobre Hottentotes e craniologia,
enquanto o Eden desfilava em Kew.
Entre Mayflower e Windrush
(com cada necessário assassinato) as celebradas

fixações dos arredores de gosto imperial onde selvas
foram conquistadas para que a luz da aprendizagem fosse espalhada para ajudar soluçantes suttees
a desistirem do fantasma da flamejante pira de um marido.

II

Tanto para ontem, mas o tempo honroso de hoje
televisionou batidas de metal repetem a bandeira de um livro queimando e o May Day dos Moicanos
Churchill e todo aquele choque e espanto
que me traz de volta para o Globo do Wanamaker.

Um atavismo americano sobreposto ao rei do Canhão! Eu assisto o ator, como rei, do elenco do dominador Robeson.

A multidão, também, parece uma mistura dos pactos e seitas do
nosso declínio e circulação.
Meus ancestrais fizeram seu papel para o quid pro quo do Império
ao assistirem `a preponderância do governo e a desunião da espécie.

Tais relações me produzem para este palco?
Especialmente com Macauly em mente, quem
reclamou o passe do cetro imperial iria iluminar
o imperecível império de nossas artes...

Então o vermelho do mapa de Macauly corre no meu sangue?
Sou eu uma nobre nuca que espera que uma orgulhosa academia possa canonizar seus poemas para a fé deles em alusões canônicas?

É falsa minha voz sobre essas tão frequentes bestas?
Bem, se a minha voz soa vexatória, o que posso senão rezar para que ela reine Bolshie atraves da manipulação de marionetes e hipocrisia cheia de fúria muito eufórica!

III

O pico do maximo poder do Golfo incitou bravo novo verso
modelado no passado, quando as fricções do tempo cortejavam as corrupções de Shakespeare para o domínio do tema espetacular da
Língua. Talvez

o Globo deva ser minha musa! Fico feliz cavocando
para o meu bom jardim inglês exercer força outra vez.
Meu jardim, apenas meu estado mental de meu jardim, onde é fácil me alinhar a ele com um "viracasaco".

T> E. Lawrence e um seminú faquir e sempre na parte mais barata* (=do teatro Elizabetano). Talvez para ajudar a sucessão desta língua do mundo, pois que o poeta semeando as raízes,
para que o debate chegando de maneira limpa certamente nos daria uma distância maior
do que este rei no Globo, cuja cabeca parece chafuradar na lama
com idade de ouro de bumph
cujo sofrimento acaba nele em antecipada excitação nas estrelas.

V

Eu aplaudo e vagueio tranquilo em direção a Westminster,
ainda assim suavemente esta noite as águas do erro Britannia
com flotilhas de chá e algodão de ouro branco e a doçura-e-luz

tingiram de sangue e finalmente o rosto vermelho do Suez.
E como rapidamente a maré remove da cena o instrumento * (inflável de papel) clamando as tropas de campo ao largo corpos de soldados escarlates e o choro do mártir: Todo homem morre em seu posto!

Até que o que há pela frente são amantes felizes que encaram a partir do Olho de Londres em multinacionais deitados ao longo do sanitizado Thames.


sábado, 26 de junho de 2010

Pôr-do-Sol Yara / Sundown by Jorie Graham (The New Yorker 19, 2010

Pôr-do-Sol

Por vezes

a luz do dia estremece
a
trás de você e é

um grande tesouro neste caso hoje homem
a cavalo em pleno calmo galope em Omaha
sobre meu ombro esquerdo chega rápido
mas

calmo nada audível pra mim até que eu
por nada, vire a cabeça
como se o que ficara atrás
sussurrasse:

o que posso fazer por você hoje, e eu
acabara de me virar e
responder e a resposta

à minha resposta escorreu vinda

de frente com o sol tardio: ele/eles
dirigiam-se adentro - vislumbrantes -
peito ensopado e joelhos levantados e

leve batida dos cascos e ímpeto até o respirar
do grande melhor -deste que bem atrás de mim,
me ultrapassa - o cavaleiro olha reto
à frente e ainda assim

sorri sem me olhar e ao sorrir eu sorria
ambos sorríamos para o jovem
animal, meus pés no

gume do quebra-onda, seus cascos retornam,
conforme iniciam a ultrapassagem
à beira do quebra-mar, cada um espirrando floco de

oceano ofertado à vermelha

luminosidade - faíscas - ao abrirem seu caminho,
perfurando lado a lado para desimpedir
a vida, lugar onde ninguém mais seja /de repente

morto - indiferente à "causa" - ninguém - apenas este
galope avante ousado de força que atravessa as pequenas ondas, gaivotas
espalhadas toda volta, seus

guinchos estridentes erguem-se em mais pedaços de espuma vermelha, os
cascos do cavalo agora subitamente
mais sonoros ao passarem e suas pegadas na
funda areia úmida aprofundam e imediatamente preenchida por milhares de
pulgas d'areia em alvoroço se assentam nos sucessivos
declives
em nova e livre praia - exato momento para algo
de vida macroscópica ressuscitar por meio dessas conchas
no oblíquo relance d'olhos de oceano recuado é
revelador, e as pulgas d'areia encontrando-as, exato como a luz
faz, entalhando-as com a sombra, e o brilho em cada sulco, e

a água s'esvaindo no mais profundo corte da pisada,

e quando fecho meus olhos agora não sou mais o cego
caminhante até o baixar do sol, água ruidosa à direita,
mas aquele que enxerga
de olhos fechados
pondo os pés no chão
um de cada vez
na terra.

- Traduzido do poema publicado na revista New Yorker

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Pôr-do-Sol (do poema de Jorie Graham: Sundown -publicado na revista New Yorker, April 12, 2010.

Pôr-do-Sol


Por vezes

a luz do dia estremece

atrás de você e é

um grande tesouro neste caso hoje homem

a cavalo em pleno calmo

galope em Omaha sobre meu

ombro esquerdo chega

rápido mas

calmo não audível para mim até que eu vire

a cabeça por nada

como se o que ficara atrás

sussurrasse:

o que posso fazer por você hoje e eu

acabara de me virar para

responder e a resposta à minha

resposta escorreu vinda de frente com o sol tardio: ele/eles

estavam dirigindo adentro - vislumbrante -

peito ensopado e joelhos levantados e

leve batida dos cascos e no ímpeto até o respirar do grande

melhor - deste que bem atrás de mim,

me ultrapassa - o cavaleiro olhando direto

à frente e mesmo assim

sorri sem me olhar e ao sorrir eu sorria ambos sorríamos

para o jovem animal, meus pés na

crista quebra-onda, cada um lançando floco de oceano

ofertado à vermelha

luminosidade -

seus cascos retornando, começa a ultrapassagem



domingo, 6 de junho de 2010

THE LIGHTKEEPER (by Carolyn Forché - The New Yorker, May 3, 2010)

O guarda-luz

Uma noite sem navios. Sirenes-sereias intramuro de nuvem, e você
ainda vivo, ímã de luz como se fora o fogo em afago de monges,
treva outrora esmagada por estrelas, mas agora - morte opaca - e você a velejar, adentra,
Permeia o tojo selvagem e os sargaços do mar, permeia a urze e a fibra rompida.
Você escapou, me puxando pela mão pra que eu visse isso por uma vez na vida:
o giro rodopia a luz, seu sussurro suscita a perda,
lá desde a era do fogo, era das velas e o oco pavio de lâmpadas
óleo de baleia e sólida mecha, colza e lardo, querozene e carboneto,
os fogos alaridam e alumiam esse arriscado Promontório.
E você me diz: fique atenta, seja o que "vira" muito pela lente tal que
forme enfim matéria em cristal a respirar o ver, seja o teixo em floração quando as abelhas enxameiam,
seja sua catedral de âmbar e, até os fantasmas dos monges cistercienses serão gentis com você.
Em certa luz, aquela depois da chuva, em nuvens peroladas ou a água acolá, vista ou percebida água,
do mar ou do lago, você pararia quieto intenso além olho. Também
quando os vagalumes se abrissem e pisca-piscando, nosso único paraíso. Você me ensinou a viver assim.
Que depois da morte seria como antes de nascer. Nada a temer. Nada. A não ser a felicidade tão intolerável como o espanto da qual advém. Avance até a luz intermitente, seja sem navios.

- minha "tradução" (sem timidez)

sábado, 5 de junho de 2010

O Guarda-Luz / The Lightkeeper by Carolyn Forché

(minha tradução do poema de Carolyn Forché publicado na revista The New Yorker, em 3 de maio 2010.)

O Guarda-Luz

Uma noite sem navios. Sirenes-sereias intramuro de nuvem, e você
ainda vivo, ímã de luz como se fora o fogo em afago de monges,
treva outrora esmagada por estrelas, mas agora - morte opaca - e você a velejar adentro.
Permeia o tojo selvagem e os sargaços do mar, permeia a urze e a lã rompida