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sexta-feira, 21 de março de 2014
My life was the size of my life, Jane Hirshfield, da revista New Yorker
Minha vida era do tamanho de minha vida
Seus cômodos eram do tamanho dos cômodos
Sua alma era do tamanho de uma alma.
No seu fundo, mitocondria zunia
Acima o sol, nuvens, neve, o trânsito das estrelas e planetas,
Percorria elevadores, trens-bala
Vários aeroplanos, uma mula.
Usava meias, camisas, suas próprias orelhas e nariz.
Comia, dormia, abria e fechava suas mãos, suas janelas,
Outros, eu sei, tiveram vidas maiores
Outros, eu sei, tiveram vidas mais curtas.
A profundeza de vidas também é diferente.
Houve tempos que fazíamos pão.
Uma vez, brotava melancolia e ficava distante.
Eu falei à minha vida que gostaria de alguma vez
Eu gostaria de tentar ver os outros.
Numa semana, minha mala vazia, e eu voltei.
Eu estava com fome, então, e minha vida,
Minha vida, também estava faminta, nós não pudemos
manter nossas mãos fora de nossas roupas
e de nossas línguas.
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da New Yorker,
Jane Hirshfield
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
My Proteins, Jane Hirshfield
Minhas Proteínas
Descobriram, dizem,
a proteína do desejo ardente -
natriurético polypeptide b -
e que viaja em seu distinto caminho
dentro de minha espinha.
Bem como a dor, prazer, e aquecimento.
Um corpo parece uma rodovia,
uma folha de trevo atravessando
bem construída, bem percorrida
Algo de mim indo norte, algo indo sul.
Noventa por cento de minha células, descobriram,
não são minha própria pessoa,
elas são outros seres dentro de mim.
Como noventa e seis por cento de minha vida não é minha vida.
Ainda assim, dizem, sou eles -
minha bactéria e leveduras,
meu pai e mãe,
avós, amantes,
meus motoristas falando nos celulares,
meus metrôs, e pontes,
meus ladrões, minha polícia
que caçam meu self noite e dia.
Minhas proteínas, aparentemente, também eu,
envolvem as camisas.
Eu encontro nesta metrópole abarrotada
um canto quieto,
onde eu construo blocos de Lego de não-eu
um banco,
pombos, um sanduíche
de pão de aveia, mostarda, e queijo.
Sou eu e não-eu,
a fome
que torna bom o sanduíche.
Não é eu então é,
o sanduíche -
um mistério que nenhum de nós
pode abarcar, revelar, ou consumir.
Descobriram, dizem,
a proteína do desejo ardente -
natriurético polypeptide b -
e que viaja em seu distinto caminho
dentro de minha espinha.
Bem como a dor, prazer, e aquecimento.
Um corpo parece uma rodovia,
uma folha de trevo atravessando
bem construída, bem percorrida
Algo de mim indo norte, algo indo sul.
Noventa por cento de minha células, descobriram,
não são minha própria pessoa,
elas são outros seres dentro de mim.
Como noventa e seis por cento de minha vida não é minha vida.
Ainda assim, dizem, sou eles -
minha bactéria e leveduras,
meu pai e mãe,
avós, amantes,
meus motoristas falando nos celulares,
meus metrôs, e pontes,
meus ladrões, minha polícia
que caçam meu self noite e dia.
Minhas proteínas, aparentemente, também eu,
envolvem as camisas.
Eu encontro nesta metrópole abarrotada
um canto quieto,
onde eu construo blocos de Lego de não-eu
um banco,
pombos, um sanduíche
de pão de aveia, mostarda, e queijo.
Sou eu e não-eu,
a fome
que torna bom o sanduíche.
Não é eu então é,
o sanduíche -
um mistério que nenhum de nós
pode abarcar, revelar, ou consumir.
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