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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Imprudente Jardinagem - trad. original de Marianne Moore

Imprudente Jardinagem

Se o amarelo exprime infidelidade,
Eu sou infiel
Não poderia suportar uma rosa amarela de má vontade

porque os livros dizem que o amarelo é de mau agouro,
o branco promete bem.

Entretanto, sua possessão particular
o senso de privacidade
deve desaprovar de fato
ouvidos ofendidos, e não precisar tolerar
desaforo.
________________
Nota de M.M. Cartas de Robert Browning e Elizabeth Barrett: "A rosa amarela? In fidelidade, diz o dicionário de flores. vol.II -pg.38: "Eu plantei mais doze roseiras, todas brancas - para livrar a injúria da rosa.

O Passado é o Presente - Trad. do original de Marianne Moore

O Passado é o Presente

Se a ação externa é estéril
e o ritmo, obsoleto,
devo recorrer a você,
Rabakkuk, quando numa aula da Bíblia
o professor falava de verso sem rima
A ação que a repito com exatidão:
"A poesia hebraica é prosa
com uma espécie de consciência intensificada".
O êxtase se permite a ocasião e a conveniência determina a forma.

Avec Ardeur - Marianne Moore

Avec Ardeur

Caro Ezra, que sabe o que é cadência.

Tenho pensado - bem, cogitado.

Faça rebuliço
e seja tedioso

Estou aborrecido?
Sim, estou. Evito

"adorar"
e "entediar".

estou, eu
digo, pela

palavra
(tédio) entediada.

Eu recuso
usar

"divino"
para dizer

alguma coisa agradável

"tremenda cor"
para algum horror

Ainda que chata
eu mesma, diria que

"Atlas"
(vidro prensado)

parece melhor
em veleiro

eu recuso
o uso

"cativar"
"enlouquecer"

mesmo "medo-
nho empenho
(embora justificado)

ou "frívo-
lo tolo
(embora adequado).

Escapei?
me armadilhei

por essa
doença da palavra.

Sem pausas,
as frases

carentes de
força lírica, diferente

de Ático
Alcaico

ou esdrúxula
chita - xiita

Isso não é verso
claro.

Tenho certeza.

Nada mundano é divino
Nada divino é mundano

domingo, 11 de julho de 2010

Mais jardins/Mais sapos: a sempre sapoeta Marianne Moore

Nove Nectarinas

Duas a duas como pêssegos
em intervalos que a tudo permite viver - oito e uma sozinha
em brotos que cresceram do ano passado - parecem um derivativo
ainda que não incomum
o posto está à vista -
nove pêssegos numa nectarina
pelados entrecrescendo nas folhas delgadas
de verde ou azul ou
ambas, no estilo chinês, os quatro

pares de meia lua folha-mosaico vira-se para o sol
borrifado rubor
de vermelho-castanho-da-rósea-beleza
americana, aplicada à cera cinza das abelhas pela
inquestionável broxa de encadernação mercantil
como o pêssego yu, o vermelho -
bochechudo pêssego não ajuda o morto
mas colhido a tempo previne de morte
o italiano
pêssego - noz, ameixa persa, Ispoã

segregada nectarina crescida no muro
tanto quanto selvagem a fruta espontânea
encontrada primeiro na China. Mas era selvagem?
Prudente de Candolle não diria isso.
Não se percebe falha
nesse grupo emblemático
de nove na saliência de folha
sem forro de gorgulho
como alguém uma vez descreveu
essa gravura tão remendada
ou no igual preciso

alce sem corno ou cavalo da Islândia
ou asno apático contra a velha
densa suavemente inclinada nectarina:
cor da flor castanha da árvore arbusto.

Um chinês "entende o espírito da selva"
e a nectarina - amável kylin
de aparência de pônei: longa
cauda ou canela-marrom
sem rama, comum
de pêlo unicórnio-camelo
pés de antílope - deschifrado
aqui esmalte em porcelana.

foi um chinês
que imaginou essa obra de arte.

________________
notas de Marianne Moore:
  • "Os chinese acreditam que os pêssegos ovais, muito vermelhos de um lado, serem um símbolo de vida longa...De acordo com a palavra de Ching-Noug-King, o pêssego Yu previne da morte. Se não for comido a tempo, pelo menos preserva o corpo de deterioração até o fim do mundo". Alphonse de Candolle- Origin of cultivated plants (Appleton,1886)
  • "Um velho cavalheiro da China, que encontrei quando vim pela primeira vez a este país, se ofereceu para nomear o que ele chamava de "6 certezas", ele disse:
  • Você pode ter certeza de que o mais claro
  • jade vem de Yarkand
  • as flores mais bonitas de Szchuen
  • a mais frágil, porcelana de Kingtehclen
  • o melhor chá de Fukien
  • a seda mais diáfan de Hangchow
  • as mulheres mais belas de Soochow (New York Sun, July 2, 1932 - The World Today, by Edgard Snow, de Soochow, China)

Mais Marianne Moore: Neverthless / Toda via /Com tudo


Você já viu um morango
após uma luta, ainda
existe, onde os fragmentos tocam

ouriço ou estrela
peixe para multitude
de sementes. Que melhor fruta

que sementes de maçã - a fruta
dentro da fruta - trancafiada
como gêmea contra-curva

avelã? Geada que mata
os galhinhos da planta
de latex de talos kok-saghys, não pode
machucar as raízes, elas crescem
em chão congelado. Era uma vez
uma folha-de-pera espinhenta

pendente da farpa de arame
uma raiz lançada para crescer
na terra abaixo duas polegadas

como cenouras formam mandrágoras
como raiz-de-corno de carneiro
às vezes. Vitória não virá
a mim a menos que eu vá
a ela; uma gavinha-uva
amarra de nó em nó até

trinta vezes nodoso - então
o broto seguro tendo resistido e sobreexistido, inativo

O fraco super-
era a si. Nada iguala
a fortaleza! Que seiva
penetrou naquele filete
para fazer vermelha a cereja!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Sapoeta Marianne Moore: A mente, essa coisa encantadora

A mente, essa coisa encantadora

é uma coisa encantadora
como esmalte na
asa do gafanhoto

subdividida pelo sol
até que redes são legião

como Gieseking tocando Scarlatti

como o aptérix - coruja
enquanto bico, ou o
xale de chuva de quiwi

de penas peludas, a mente
como o cego apalpando o caminho
caminha de olhos no chão

Ela tem ouvido de memória

que pode ouvir sem

ter que ouvir

como queda de giroscópio
verdadeiramente unívoca
porque autenticada pela certeza reinante

é um poder de encantamento
forte. É

como o pescoço

de pomba animada pelo
sol, é o olho da memória

é consciência inconsistência

Ela arranca o véu: estraçalha
a tentação, a
névoa que esconde o coração
de seus olhos - se o coração tem um rosto
ela desmonta

a melancolia. É o fogo no pescoço da pomba
arcoirisado, nas
inconsistências de Scarlatti

clareza submete
sua confusão à prova. Não é imutável
como um juramento de Herodes.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Voracidades e Veracidades - uma apropriação

Voracidades e Veracidades às Vezes Interagem - por Marianne Moore

Eu não gosto de diamantes;
"o brilho de lâmpada da grama" da esmeralda é melhor;
e a inobstrução é brilhante,
oportunamente.
Algumas espécies de gratidão são penosas.

Poetas, não se alvorocem;
a "trompa torta" do elefante "escreve mesmo";
e para um livro-tigre que estou lendo -
Acho que você sabe qual -
Devo obrigação.

Pode-se ser perdoado, sim eu sei
pode-se, por amor não morrer.

Oliver, pra você

Voracities and Verities Sometimes Are Interacting - Marianne Moore

I don't like diamonds;
the emerald's "grass-lamp glow" is better;
and unobtrusiveness is dazzling,
upon occasion.
Some kinds of gratitude are trying.

Poets, don't make a fuss;
the elephant's "crooked trumpet" "doth write;
and to a tiger-book I am reading -
I think you know the one -
I am under obligation.

One may be pardoned, yes I know
one may, for love undying.
______
Note: Tiger-book: Major James Corbett's Man-Eaters of Kumaon.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Um Túmulo -minha tradução do poema: A Grave, by Marianne Moore

Homem olhando para o mar,
tomando a vista daqueles que têm tanto direito a ela como
você a tem para si-mesmo,
é da natureza humana postar-se no meio de uma coisa,
mas você não pode postar-se no meio disso;
o mar não tem nada a dar exceto um bem escavado túmulo.
Os pinheiros postam-se em procissão, cada um com uma esmeralda pé-de
perú no topo,
reservados como seus contornos, nada dizendo;
a repressão, no entanto, não é a mais óbvia característica de
o mar;
O mar é um coletor, rápido a devolver um olhar voraz.
Há outros além de você que exauriram aquele olhar -
cuja expressão não é mais um protesto; o peixe não mais os investiga
pois seus ossos não subsistiram:
homens baixam redes, inconscientes do fato que eles estão
desencaixotando um túmulo,
e transportam prontamente para longe - as pás dos remos
movendo juntas como aranhas d'água como se não houvesse
tal coisa como a morte.
As ondulações progridem entre eles numa falange -
belo entrelace de espuma,
e desvanecem sem respirar enquanto o mar ruge-ruge dentro e fora da
alga;
As aves nadam furando o ar velocidade máxima, emitindo gritos-de-gatos
como até agora -
o casco da tartaruga açoita os pés dos penhascos, em movimento
abaixo deles;
e o oceano, sob a pulsação dos faróis e o barulho de
bóias em badaladas
adianta-se como de costume, olhando como se não fosse aquele oceano no qual
caíram coisas prontas para afundar -
no qual, se elas giram e serpenteiam, não é nem por vontade nem
consciência.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Sapoeta Marianne Moore fala:

"Poema é coisa de ver/como não se ouve um quadrado" (João Cabral)

(...) Mãos que podem agarrar, olhos
que podem dilatar, olhos que podem crescer
se necessário, essas coisas são importantes não porque uma

altissonante interpretação possa ser exercida sobre elas mas porque
elas são
úteis. Quando se tornam tão derivativas a ponto de
ininteligíveis,

a mesma coisa pode ser dita para todos nós, que nós
não admiramos o que
não compreendemos: o morcego
se segurando de ponta-cabeça ou na busca do que

comer, elefantes em célere busca, um cavalo selvagem em cadência, um incansável lobo
sob
uma árvore, o irremovível crítico beliscando sua pele como um cavalo que
sente a pulga, o fã de base/beise-
ball , o estatístico -
nem é válido
discriminar contra "documentos de negócios e

livros de escola"; todos esses fenômenos são importantes. Deve-se
fazer uma distinção
porém: quando arrastados à proeminência por meio-poetas, o
resultado não é poesia,

não até que os poetas entre nós possam ser
" literalistas da
imaginação" - acima da
insolência e trivialidade e possam apresentar

para inspeção, "jardins imaginários com sapos reais dentro",
poderemos tê-
la. No meio tempo, se você exige por um lado,
a matéria crua da poesia em
toda sua crueza e
que por outro lado é
genuína, você está interessado em poesia.

(fragmento de minha tradução de Poetry - Marianne Moore.
versão longa.)

Nota de Marianne para esta citação: "Literalists of the imagination." Yeats, Ideas of Good and Evil.


domingo, 19 de abril de 2009

Original do "The Fish", de Marianne Moore

THE FISH by Marianne Moore (1887 - 1972), poeta norte-americana, autora de Selected Poems (1935), Collected Poems (1951), Observations (1924). Colaborou em revistas como The Egoist e Poetry. Sua estética, próxima ao imagismo, influenciou T. S. Eliot, Ezra Pound e e.e. cummings.

wade
through black jade.
Of the crow-blue mussel-shells, one keeps
adjusting the ash-heaps;
opening and shutting itself like

an
injured fan.
The barnacles which encrust the side
of the wave, cannot hide
there for the submerged shafts of the

sun,
split like spun
glass, move themselves with spotlight swiftness
into the crevices -
in and out, illuminating

the
turquoise sea
of bodies. The water drives a wedge
of iron through the iron edge
of the cliff; whereupon the stars,

pink
rice-grains, ink-
bespattered jelly-fish, crabs like green
lilies, and submarine
toadstools, slide each on the other.

All
external
marks of abuse are present on this
defiant edifice -
all the physical features of

ac-
cident - lack
of cornice, dynamite grooves, burns, and
hatchet strokes, these things, stand
out on it; the chasm-side is

dead.
Repeated
evidence has proved that it can live
on what can not revive
its youth. The sea grows old in it.

Transcriação do poema The Fish - Marianne Moore

É como o peixe que desliza, pele lisa em escamas próprias aos desvios, escorrega, como enguia: enguiça aqui, enrosca por vezes ali. E já lá não mais está. De aberturas nasais que não se comunicam pela boca pois que por brânquias respira - como se, poroso tecido de buracos, desenhasse vãos em trilhas: uma vacância móvel:

(Meu) Peixe (quer renascer em Português)

Vade -
ar em vãos de jade negro
Corvo do mar remexe em conchas
- uma fica
a pairar na pilha de pó;
abre e fecha co-
mo ventila-
dor, engasgado.
Cracas incrustadas na anca
da onda, não encobrem
sinais
submersos do
sol,
piões de espuma reluzem
luar - pisca -
- pisca frestas
de
sim a iluminar corpos
azuis
do mar. A
água deságua cunhas de aço,
atravessa gumes tensos
o aço de penh-
asco - era uma vez, estrelas,
róseos
grãos de arroz, lama
sal pica medusa, caranguejo
quer ser lírio-verde
cogumelo, veneno marinho
permeia trocas.
Todas
marcas externas
de abuso apresentam esse
edifício - desafio:
todas
pistas físicas de
aci-
dente - teto cai
estrias - dinamite
golpes de machado
provas de resistência:
a face do vácuo
está morta.
Insistente
evidência cabal - ele vive
sobre o que não lhe pode
reviver sua juventude. O
mar envelhece nele.