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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Mushrooms, Sylvia Plath

                                    Cogumelos

De um dia para outro, muito
brancamente, discretamente,
muito quietamente

Nossos dedos do pé, nossos narizes
Assomem na argila
Adquirem ar.

Ninguém nos vê,
Nos pára, nos trái;
Os pequenos grãos se acomodam.

Punhos suaves insistem em
alçar as agulhas
A forragem de folhas

Até o pavimento
Nossos martelos, nossos carneiros bate-estaca
Sem ouvidos sem olhos,

Perfeitamente sem voz
Alargam crânios
Ombro através de buracos. Nós

Dieta d'água,
Migalhas de sombra,
Maneiras amenas, perguntando

Pouco ou nada,
Tantos de nós!
Tantos de nós!

Somos prateleiras, nós somos
mesas, somos meigos
Nós somos comestíveis

Cutucadas e empurrões
A despeito de nós-mesmos
Nossa espécie multiplica:

Devemos de manhã
Herdar a terra.
Nosso pé na porta.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Morning Song (original), Sylvia Plath

                                  Morning Song

Love set you like a fat gold watch.
The midwife slapped your footsoles, and your bald cry
Took its place among the elements.

Our voices echo, magnifying your arrival. New statue
In a drafty museum, your nakedness
Shadows our safety. We stand round blankly as walls.
I'm no more your mother
Than the cloud that distils a mirror to reflect its own slow
Effacement at the wind's hand.

All night your moth-breath
Flickers among the flat pink roses. I wake to listen:
One cry, and I stumble from bed, cow-heavy and floral
In my Victorian nightgown.
Your mouth opens clean as a cat's. The window square

Whitens and swallows its dull stars. And now you try
Your handful of notes:
The clear vowels rise like balloons.

Morning Song, Sylvia Plath

                                Canção da Manhã

O amor ajusta você como um gordo relógio de ouro
A parteira bateu nas suas solas dos pés, e seu choro descoberto
Tomou seu lugar entre os elementos.

O eco de nossas vozes, louvou calorosamente sua chegada. Nova estátua
Num esboçado museu, sua nudez
Assombra nossa segurança. Nós ficamos em pé ao redor inexpressivamente como paredes.

Não sou mais sua mãe
Do que a núvem que destila um espelho para refletir seu vagaroso
Apagamento da mão do vento.

A noite toda sua respiração de mariposa
Adeja entre planas rosas cor-de-rosa. Eu acordo para ouvir:
Um mar distante se move no meu ouvido.

Um choro, e eu cambaleio da cama, vaca pesada e floral
Em minha camisola vitoriana
Sua boca se abre limpa como a de um gato. O quadrado da janela
Esbranquiça e incha suas apagadas estrelas. E agora você experimenta
Sua mão cheia de notas:As claras vogais se erguem como balões.  

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Crossing the water, Sylvia Plath

                                       Cruzando a água

Lago negro, barco negro, dois negros, pessoas de papel cortado.
Onde as árvores negras vão que bebem aqui?
Suas sombras devem cobrir o Canadá.

Uma pequena luz está filtrando desde as flores d'água.
Suas folhas não nos desejam pressa:
Elas são redondas e chatas
e cheias de escuros conselhos.

Mundos gelados sacodem do remo
O espírito de negritude está em nós, está nos peixes.
Um galho submerso está levantando uma despedida, pálida mão.

As estrelas abrem entre os lírios.
Você não fica cego por tantas sirenes sem expressão?
Este é o silêncio de almas assombradas.