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segunda-feira, 9 de abril de 2012

The Man Who Hated Trees, Naomi Shihab Nye

O Homem Que Odiava As Árvores


Quando ele começou a culpar pelos roubos
as árvores, você sabia por certo
algo estava errado.


Esse homem que cortava cabelo,
quem levou anos raspando pescoços
de gerentes de cafeteria,
varrendo caracóis de cabelos escoadouros abaixo,
Este homem que disse: "É sempre melhor cortar
um pouco demais..."


Você poderia dizer que ele transferiu uma coisa
por outra quando ele vinha pra casa,
cabelos por folhas, só que desta vez
ele estava cortando corpos inteiros,
dos pés pra cima, ele queria fazer daqueles
fregueses, cepas.


Uma árvore deixou cair bolas rouxas no teto
de seu carro. Uma árvore tocava a canaleta
da chuva. Ele não gostava de floradas, sujeira demais.
"Árvores sobem ao céu - é minha luz, por que compartilhá-la?"
Ele disse que ladrões atacam em blocos onde haja árvores,
"A sombra, você sabe. Eles gostam do escuro."
Você viveu por dias com o barulho da serra cauterizando
os últimos ramos de afeição da vizinhança.


Era a estação do plantio no resto da cidade
mas a sua rua recebia corte escovinha.
Duas nogueiras que levaram a metade de um século
para crescer, agora ficaram como índios Mohawk, tosquiada.


Ele regozijava-se em sua varanda cercada de amputações.
Você o pegou encarando gulosamente os ramos soltos
balançando sobre seu telhado.


Amanhã, quando tudo for cortado, o que será?
Ele brincou sobre correr atrás dos gatos como
o último grão seco de porcelana estatelado conforme
o caminhão viesse pra recolher braços e pernas
sacudindo seu último adeus.


Que histórias ele contou a si mesmo,
esse patriota da primavera,
e como se sente dirigindo nos bulevares florescendo
em seu pelado, pelado coração?

sábado, 31 de março de 2012

O Gato Voador, Naomi Shihab Nye

O Gato Voador


Nunca, em toda sua carreira de preocupação, você imaginou
o que preocupa pudesse ocorrer no que concerne o gato voador.
Você está viajando para uma cidade distante
O gato deve viajar numa pequena caixa com buracos.


Será o compartimento da bagagem pressurizada?
A maleta do soldado cairá no gato durante a decolagem?
Congelará o gato?


Você faz essas perguntas uma por uma em vozes diferentes
ao telefone. Algumas você obtém uma resposta, algumas vezes
um click. Agora está afetando tudo que você faz.
No jantar você sente náuseas, como se estivesse engolindo
a vinte mil pés de altitude. Nos sonhos você abana cabeças de
peixe, mas o gato cresceu propulsor,
O gato está girando fora da vista!


Ele desmaiará quando o avião aterrissar?
O compartimento da bagagem é à prova de som?
O gato ficará surdo?


"Senhora, se a cabine não fosse pressurizada,
seu gato explodiria."
E falado num tom zombeteiro e impessoal, como se
a explosão de gatos fosse outra estatística!


Abraçando o gato antes da partida, você percebe novamente
a língua privada da dor. Ele ronrona. Ele confia em você.
Ele sabe pouco de planetas ou satélites, buracos negros no
espaço ou a falta de peso da elevação do medo.

terça-feira, 27 de março de 2012

Going for Peaches, Naomi Shihab Nye

Avançando nos pêssegos, Fredericksburg, Texas


Aqueles com experiência procuram uma espécie especial.
Globo Vermelho, a pele escorrega como bonita camisola de seda.
O menino parte um, aberto em suas mãos. Sim, é bom, minhas
parentes dizem, mas olharemos em volta.
Elas querem que eu pare a cada barraca de pêssego, entre Stonewall 
e Fredericksburg, deixam o ar-condicionado ligado,
pulam fora e perguntam o preço.


Chegando até aqui elas falavam sobre as melhores formas
de morrer. Uma favorece uma queda de avião, mas não em cima
da cidade. Uma quer ter certeza sua grama tenha sido aguada quando
se for,
Senhoras, senhoras! Este pêssego é bom, ele ruboriza em ambos os
lados. Mas elas querem continuar andando.


Em Fredericksburg as casas são de pedra, me lembram relógios
de pulso, vidro polido, os anos tiquetaqueando em cada parede.
Eu não gosto de pedra, diz uma, o que seria se ela sentisse?
Eu não gosto de Fredericksburg, diz a outra. Alemães demais
dirigindo devagar demais. Ela mesma é alemã quanto Stuttgard.
O dia empurra pra frente exaustivas queixas, encanta sobre seu
ossudo osso.


Na verdade, senhoras (não consigo resistir), eu não acho que
vocês querem pêssegos, afinal, vocês só querem algumas
colinas envolvendo suas cabeças.
As compras começam imediatamente, de uma mulher com cachecol
que diz ter desistido de ensinar, pelos pêssegos.
Ela nos faz assinar um livro de convidados. Uma tia insiste em recarregar
sua caixa para ver a fruta no fundo. Uma rejeita o menor ferimento
Mas senhora, a vendedora insiste, a natureza não é perfeita.
Suas mãos estão manchadas, como pêssego.


Na estrada, carros tecem formas soltas entre as vias
Flutuaremos em florido aroma de pêssego
de volta às separadas chaleiras, nossas mesas privadas
e facas, e a enfileirada doação generosa,
decidindo quais vão aonde.
Um pêssego enlatado, diz uma das tias, dura dez anos.
Ela tinha 87 semana passada. Mas um pêssego congelado
tem melhor sabor com sorvete.
Tudo que aprendemos até aqui, peles vivas e maduras,
em um dia que foi real para nós, aquele era o verão,
movimento saindo e memória chegando.

Streets, Naomi Shihab Nye

                 Ruas


Um homem deixa o mundo
e as ruas em que ele viveu
crescem um pouco menos.
Mais uma janela escura
nesta cidade, os figos em seus galhos
suavizarão para os pássaros.


Se permanecemos quietos noites suficientes
Aí cresce uma companhia completa para nós
ficando quietamente juntos. 
Acima da cabeça melros estão reivindicando suas árvores
e o céu que costura, sem descanso costurando,
deixa cair sua bainha rouxa.
Cada coisa em seu tempo, em seu lugar,
Seria agradável pensar o mesmo sobre pessoas.


Algumas pessoas fazem isso. Dormem completamente,
acordando recompostos. Outras vivem em dois mundos,
o perdido e o lembrado. Elas dormem duas vezes, uma vez
para aquele que se foi, uma vez para si mesmos.
Sonham densamente, duplo sonho, acordam
de um sonho dentro do outro, caminham nas pequenas ruas
chamando nomes, e então eles respondem.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Lunch in Nablus City Park, Naomi Shihab Nye

Almoço em Nablus City Park


Quando você almoça numa cidade que recentemente conheceu a guerra
sob um calmo céu de ardósia espelhando nada disso,
Certas palavras sentem impossíveis na boca.
Acidente: acidental demais, deve ser mudado.
Um homem baixo fixa um monte de pão de fibra na piteira
em cada beira da mesa, murmurando algo sobre haver mais por vir.
Pássaros arrojados aterrissam nos bancos do parque 
certamente tiveram seus olhos fechados recentemente
não devem ter visto nada das armas ou bloqueios.
Quando a mulher diante de você cochicha
eu não acho que possamos suportar mais
e você diz que há pessoas rezando por ela
nas montanhas do Himalaya, e ela diz
Senhora, não é suficiente. E aí?


Uma travessa de almôndegas em forma de charuto,
prato de tomate, amigos molhando o pão -
Eu não me casarei até que haja um amor verdadeiro, diz alguém
lançando pra trás sua cascata de perfumado cabelo.
ele diz que a Universidade do Texas parece remota para ele
como Marte, e o mês passado ele ficou em casa 26 dias. Ele não sairá,
se recusa a sair. No mercado estão vendendo sapatos de homem 
com abertura para ventilação; um mendigo exibe a gigante crosta de ferida
se arrastando de viela em viela,
e estudantes se reúnem para discutir o que constitui um protesto genuíno.


Nos verões, este Café fica cheio. Hoje apenas uma mesa envia risada para as árvores.
O que não pode ser respondido marca a toalha de mesa entre os quadrados
de branco e vermelho. Onde as almas das colinas se escondem quando há
tiroteio nos vales? O que faz um homem com arma parecer maior que um
homem com amêndoas?
Como pode haver guerra e no dia seguinte comer, um homem fixando pratos
na virada do braço; uma mesa de pessoas brindando um ao outro em linguagens
de graça: Para você que veio de tão longe; Para você que resistiu, usando um cachecol preto para significar o luto; Para você que acredita em amor verdadeiro possa encontrar
você entre esse atlas de lágrimas ligando uma cidade  e sua memória de morteiro,
quando era ainda um sonho a construir, e as pessoas se mudaram pra cá, acreditando, 
e alguém com céu e pássaros em seu coração disse que este seria um bom
lugar para um parque.

sábado, 24 de março de 2012

The Words Under The Words, Naomi Shihab Nye

Palavras sob Palavras


As mãos de minha avó reconhecem uvas,
o brilho úmido de uma nova pele de cabra.
Quando eu ficava doente elas me seguiam,
Eu acordava da longa febre para encontrá-las
cobrindo minha cabeça como refrigeradas rezas.


Os dias de minha avó eram feitos de pão,
um redondo de tapinhas e vagaroso assar.
Ela espera ao lado do forno observando um carro
estranho que circula nas ruas. Talvez ele contenha
seu filho, perdido para a América. Mais frequente, turistas,
que ajoelham e pranteiam diante de misteriosos relicários.
Ela sabe quão frequente chega o correio,
Quão raro há uma carta.
Quando uma vem, ela a anuncia um milagre,
ouvindo-a ler de novo e de novo
na turva luz da noite.


A voz de minha avó diz nada que possa surpreendê-la.
Seja seu ferimento de arma de fogo ou o bebê aleijado.
Ela conhece os espaços que atravessamos em viagem,
os recados que não conseguimos enviar - nossas vozes são curtas
e se perderiam na jornada.
Adeus ao casaco do marido, 'aqueles que ela amou e nutriu,
Aqueles que voam longe dela como sementes em profundo céu.
Eles se plantarão a si mesmos. Nós todos morreremos.


Os olhos de minha avó dizem Alá que está em todo lugar, 
até na morte. Quando ela fala da orquídea e do novo lagar de oliva,
Quando ela conta histórias de Joha e seus saberes bobos,
Ele é o seu primeiro pensamento, o que ela realmente pensa
é de Seu nome. "Responda, se você ouvir palavras sob palavras -
do contrário é simplesmente um mundo com muitas duras arestas,
difícil de penetrar, e nossos bolsos cheios de pedras."

Blood, Naomi Shihab Nye

Sangue


"Um verdadeiro árabe sabe como agarrar uma mosca em suas mãos",
meu pai diria. E o provaria, espalmando o zumbidor instantaneamente
enquanto o hóspede com o moscadeiro fixava seu olhar.


Na primavera nossas palmas despelavam como cobras.
Verdadeiros árabes acreditavam que a melancia podia curar de cinquenta maneiras
Eu mudei isso para encaixar a ocasião.


Anos antes,  uma jovem bateu à porta, queria ver o árabe.
Eu disse que não tínhamos um.
Depois disso, meu pai me contou quem era ele, "shihab" - "estrela cadente", 
um bom nome, emprestado do céu.
Uma vez eu disse, "Quando morremos, nós a devolvemos?"
Ele disse que era o que um verdadeiro árabe diria.


Hoje as manchetes coagularam no meu sangue
Um pequeno palestino está dependurado num caminhão, na primeira página,
Sem-teto sem valor, esta tragédia com uma terrível origem
é grande demais para nós. Qual bandeira podemos tremular?
Eu agitei a bandeira de pedra e semente, esteira costurada em azul.


Eu chamo meu pai, nos falamos sobre as notícias.
É demais para ele, nenhuma de suas duas línguas pode alcançá-lo.
Eu dirijo para o interior para encontrar carneiro, vacas,
para apelar ao ar: "Quem chama alguém de civilizado?
Onde pode o coração choroso roçar?
O que um verdadeiro árabe faz agora?

quinta-feira, 22 de março de 2012

Making a Fist, Naomi Shihab Nye

Pela primeira vez, na estrada Norte de Tampico,
Eu senti a vida escorregando de mim,
um tambor no deserto, mais opressivo e mais opressivo de ouvir.
Eu tinha sete anos, deitei no carro observando as palmeiras girarem
num padrão doentio passava na vidraça
Meu estômago era um melão cindido amplo dentro da minha pele.


"Como você sabe se você está indo morrer?"
Eu supliquei à minha mãe. Estivemos viajando por dias.
Com estranha confidência ela respondeu,
"Quando você não consegue mais fechar a mão."


Anos mais tarde eu sorrio em pensar naquela jornada,
as fronteiras que devemos cruzar separadamente,
estampadas com nossas angústias irrespondíveis.
Eu que não morri, que estou ainda viva,
ainda deitada no banco de trás detrás de todas as minhas perguntas,
cerrando e abrindo o punho de uma pequena mão.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

The Art Of Disappering, de Naomi Shihab Nye


A Arte de Desaparecer


Quando dizem não a conheço? diga não
Quando a convidam para a festa
lembre que festas são como, antes de responder.
Alguém lhe dizendo em voz alta
que eles uma vez escreveram um poema,
Linguiças gordurosas aglomeram-se num prato de papel.
Então, responda.


Se eles disserem Devemos nos encontrar, diga: por quê?
Não é que você não os ame mais
você está tentando lembrar de alguma coisa
importante demais para esquecer
Árvores. O sino do monastério no lusco-fusco
Diga-lhes que você tem um novo projeto.
Ele nunca terminará.


Quando alguém reconhecê-la na mercearia
deixe pender a cabeça brevemente e torne-se um repolho
Quando alguém que você não tenha visto em dez anos
aparece à porta, não comece a cantar-lhe todas as suas
novas canções. Vocês nunca se alcançarão (se porão em dia).
Caminhe em volta se sentindo uma folha
Saiba que você pode tombar em segundos
Então decida o que fazer com o seu tempo.

Try To Name What Doesn't Change - Naomi Shihab Nye

Try to Name what doesn't Change, do livro Words Under Words, de Naomi Shihab Nye


Tentando Nomear o que não muda


Roselva diz que a única coisa que não muda
são os trilhos do trem. Ela tem certeza disso.
O trem muda, ou as sementes que crescem araneiformes do lado, mas não os trilhos.
Eu observei um por três anos, ela diz,
e este não curva, não quebra, não cresce.


Peter não tem certeza. Ele viu um trilho abandonado 
perto de Sabinas, México, e diz um trilho sem um trem
é um trilho mudado. O metal não tinha mais brilho.
A madeira estava dividida e algumas ligaduras desapareceram.


Todas as terças na Morales street
açougueiros quebram os pescoços de centenas de galinhas.
A viúva na casa de lona tempera sua sopa com canela
Pergunte a ela o que não muda.


Estrelas explodem.
A rosa se curva como se houvesse fogo nas pétalas.
O gato que me conhecia está enterrado sob a moita.


O trem assobia ainda saúda seu antigo som, mas
quando vai embora, encolhendo-se de volta, das paredes
do cérebro leva algo diferente com ele
a cada vez.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Kindness, do livro Words Under Words, Naomi Shihab Nye

(Tradução do original da palestina-americana, Naomi Shihab Nye)

                                           Bondade

Antes de você saber o que é a bondade realmente
Você precisa perder coisas, sentir o futuro se dissolver num momento
como o sal no caldo leve.
O que você segura na mão
O que você contou e cuidadosamente poupou,
tudo isso deve ir, para que você saiba
quão desoladora a paisagem pode ser
entre as regiões da bondade.
Como você anda e anda pensando no ônibus que nunca parará,
Os passageiros comendo milho e galinha
olharão fixo fora da janela para sempre.

Antes que você entenda a terna gravidade da bondade,
você precisa viajar para onde o índio com seu poncho branco
jaz morto no lado da estrada.
Você precisa ver como este poderia ser você,
Como ele também era alguém que caminhava pela noite com planos
e a simples respiração que o mantinha vivo.

Antes de você conhecer a bondade como a mais profunda coisa de dentro,
Você deve sentir a tristeza como a outra coisa mais profunda
Você precisa acordar com tristeza.
Você precisa falar com ela até que sua voz agarre o fio de todas as tristezas
e você vê o tamanho do pano.

Então, isto é a única bondade que mais faz sentido,
Apenas a bondade que amarra seus sapatos
e lhe leva para fora no dia para colocar carta no correio e comprar pão,
Somente a bondade que levanta sua cabeça da multidão do mundo, para dizer
É você que eu tenho procurado, e então vai com você em todo lugar
como uma sombra ou um amigo.

(Colômbia)