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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

THE DEATH OF ARGOS, Odisséia de Homero, livro 17:260-327

                        A MORTE DE ARGOS

(traduzido do grego por Stephen Mitchell, na revista New Yorker)

Enquanto isso Odisseu chegou com o porqueiro.
Eles pararam em frente ao palácio, e em volta deles
ecoou o som da lira; era Phemius tocando
as cordas do prelúdio começando sua canção.
Odisseu tomou o comando da mão do porqueiro, e disse:
"Esta casa bem aqui deve ser o palácio de Odisseu.
Quão esplêndido é, e quão fácil para pegar
num olhar de outros cem. Uma construção leva para a seguinte,
e o pátio é muito bem construído, com sua parede de cornija,
e as duplas portas são tão sólidas que nenhum inimigo poderia arrombar.
Uma multidão deve estar festejando lá dentro agora. Eu posso cheirar a carne
assada, e ouço a lira da qual os deuses fizeram a coroa de um banquete."

Então, em resposta para suas palavras, Eumaeus, você disse, "É fácil para
alguém tão inteligente como você notar essa espécie de coisa. Mas agora
precisamos considerar o que devemos fazer. Ou você entra no palácio primeiro
e aproxima os pretendentes, e eu ficarei aqui, ou você fica aqui se quiser, e eu
irei primeiro.
Mas não demore demais; alguém pode ver você esperando e lançar uma pedra
ou lança em você. Por favor, tome cuidado."

Odisseu lhe disse, "Está bem, eu compreendo.
Você vai primeiro, eu ficarei atrás. Estou acostumado a ser surrado e ter coisas jogadas
em mim, Meu coração tem suportado. Antes de agora tenho suportado grandes sofrimentos,
ambos no mar e na terra, e se eu precisar sofrer mais um outro, que seja, mas um homem
não pode esconder um execrável desejo ardente do ventre, que causa tantos males e
nos faz navegar navios através do alto mar para trazer a guerra contra distantes povos."

Conforme eles falavam, um cachorro estava deitado lá, levantou a cabeça e empinou suas orelhas. Era Argos, o cão de Odisseu; ele o treinara e o criara desde filhote, mas nunca caçara com ele antes de navegar fora de Tróia; mais cedo os jovens homens o tinham levado fora com eles para caçar bodes selvagens e cervos e lebres, mas ele envelheceu
na ausência de seu senhor, e agora ele se deita abandonado em uma das pilhas da mula
e os excrementos  do gado amontoados fora dos portões da frente
até que os colonos pudessem vir e acarretassem fora  para manejar os campos. E então, estava o cão Argos deitado lá coberto de carrapatos. Assim que ele percebeu Odisseu,
balançou o rabo e aplainou suas orelhas, mas faltava-lhe a força para se levantar e ir
até seu senhor.
Odisseu enxugou uma lágrima, virando de lado para evitar que o porqueiro o visse, e  ele disse, "Eumaeus, é surpreendente que tal cão, de tanta qualidade deva estar deitando aqui numa estrumeira. Ele é uma beleza, mas não saberia dizer se seu aspecto combinaria com sua velocidade ou se ele foi daqueles mal-acostumados cães de meswa, que são mantidos em redor apenas para mostrar."

Então, em resposta às suas palavras, Eumaeus, você disse, "Este é o cão de um homem que morreu bem distante. Se ele fosse agora o que costumava ser quando Odisseu se fora e navegara para longe de Tróia, você ficaria surpreso por sue poder e velocidade.
Nenhum animal escaparia dele no fundo da floresta uma vez que começasse a seguir suas pegadas. Que surpreendente nariz ele tinha! Mas a má fortuna caiu sobre ele agora que seu dono está morto em tão longe, distante terra, e as mulheres são todas também sem pensamento para tomar conta dele. Servos são assim:
quando seus senhores não estão bem aí para lhes dar ordens, eles relaxam,
ficam preguiçosos, e não mais passam um dia honesto, pois Zeus todo poderoso toma metade do bem de um homem no dia em que ele se torna um escravo."

Com estas palavras ele entrou no palácio e foi para o hall onde os solicitadores estavam reunidos em um de seus banquetes. E justamente então a morte veio e escureceu os olhos de Argos, que tinha visto Odisseu de novo depois de vinte anos.

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