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sexta-feira, 14 de junho de 2013

THE SILENCE OF THE WORLD, Galway Kinnell, New Yorker

                       O SILÊNCIO DO MUNDO

Eu posso imaginar o silêncio quando o mundo
se terá aquietado - não mais poemas lançados
da língua, não mais gritos de corvo arrastando entranhas de porco-espinho
Não mais contos de Navajo, ou do homem negro de Louisiana,
ou dos velhos tempos de Vermonter,
Não mais a respiração no ouvido do último amante,
Não mais seres angélicos restados para serem beijados
dentro da claustrofobia da carne,
Não mais templos dando à luz de portas abertas para as amargas noites de inverno,
Não mais a fuinha que deixa seu anel preto congelado no ar,
Não mais dente que rói gengiva e ossos no interior da catedral da boca.
Não mais esguichada quando o cantor cospe enxaguador de boca na pia depois do concerto; não mais "Você pare de vociferar!" do diretor traste para o desajeitado
aluno de escola quando a irritada mãe arrasta o menino pequeno para dentro
da classe pela orelha irritada. Não mais a jovem em largo chapéu de perfil
à luz da tarde dizendo:"E daí, querido? Eu não te odeio. Eu te amo. E daí?"
Não mais flautista arrastando-se pela neve na rua 125 no último domingo de manhã
de seu perigo. Não mais maridos dizendo: "a lanchonete está do outro lado".
Não mais mulher replicando: "você não vai comer de novo, vai?
Não mais marido replicando:" eu não quero comer, eu apenas lhe dizia onde a lanchonete
está". Não mais esposa dizendo: "pelo amor de Deus, eu sei onde ela está".
Não mais cesura ou tudo mais uma infindável cesura,
Não mais a rima feminina tais como "lattice" e "whereat is",
Não mais pintura de "parallelismus membrorum" numa orelha, não mais a lenta e profunda
voz de Neruda dizendo: "Federico, te acuerdas, debajo de la tierra..."

Através do vale o golpe surdo de um machado chega mais tarde do que sua pancada
e o chamado de adeus aos poucos se separa pouco a pouco
das cordas vocais de tudo.





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